Tormenta RPG: Tieflings no mundo de Arton

Publicado: 02/07/2012 por Sérgio Magalhães em Tormenta RPG
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Salve galera! Finalmente volto a apresentar algo do projeto que comecei com a adaptação dos Draconatos para Tormenta RPG (que já sofreu alteração). Como disse no post anterior, eu admiro muito as raças básicas incluídas na 4E de Dungeons & Dragons e pretendo adaptar a maioria delas para Arton, trazendo novas estatísticas e contexto social ao cenário de campanha. Desta vez, trago uma das duas raças que mais curto, junto com a raça adaptada anteriormente. Procurei me basear em materiais anteriores, de outros autores, para nortear a confecção desta adaptação. Neste aspecto, usei basicamente artigos lançados nas edições 04 e 18 da revista Dragonslayer. Sei bem que já existe um certo conceito de Tiefling em Arton, chamado de Sulfure, assim como dito no artigo da revista citada. Mas, nesta adaptação, decidi ignorar isto e criar uma nova trama para a vinda destes seres infernais até o mundo de Tormenta. Este é um trabalho amador (feito unicamente por amor) de um grande fã do cenário e que deseja apenas contribuir ainda mais com o grande crescimento que este conquistou ao longo dos anos. Como sempre falo, e também é obvio, os narradores possuem total autonomia para modificar, mudar ou ignorar completamente este post. Desta vez, não estou disponibilizando uma versão PDF, porque um futuro livro gratuito será lançado com todas as raças, trazendo muuuiiitttooo material extra, contos, e algumas outras coisas. Então, segue uma pequena prévia deste trabalho, e aguardo seus comentários.

TIEFLINGS EM ARTON

A ligação entre Arton e os tieflings foi concebida, inicialmente, graças a um indivíduo em especial. Segundo contam as lendas, um poderoso feiticeiro da raça, fugindo da destruição de seu mundo natal, acabou se materializando em Sombria, o plano astral da deusa Tenebra. Por algum tempo, ele vagou pelos domínios da deusa da noite, conhecendo mais sobre aquele lugar, que aos seus olhos pareceu fascinante, e, em pouco tempo, sua aguçada sagacidade e perícia arcana o tornaram conselheiro de um poderoso lorde lich. Foi com seu efêmero senhor que ele aprendeu quase em totalidade sobre o plano em que estava, assim como sobre Arton, onde a deusa tinha milhares de cultistas. Desde o início, sua curiosidade foi aguçada em especial por este novo e fantástico plano, e seu objetivo passou a ser chegar até ele. Mas, para isso, teria que conquistar a atenção de Tenebra e, a partir daí, adquirir o poder e conhecimento suficientes para ir de Sombria a Arton! E foi exatamente o que ele fez desde então. Seu primeiro ato foi destruir seu mestre, o lich senhor do domínio onde estava. De posse das forças do antigo lorde maligno, ele desafiou outros poderosos senhores do plano e conquistou rapidamente um vasto e considerável território. Quando dominou a cidade de um poderoso lobisomem, que por tempos o havia feito frente em combate, organizou uma grandiosa cerimônia em homenagem à deusa da noite. Neste dia, ela finalmente voltou seus olhos para aquele ser único em seu plano, e que tanto tinha em comum com sua personalidade e anseios. Apareceu pessoalmente defronte ao feiticeiro tiefling e ofereceu sua gratidão e amizade, da forma mais lasciva possível. Tenebra ardia de curiosidade sobre aquele ser tão intrigante, forte e misterioso. O desejo por ele tornou-se uma necessidade incontrolável. De onde vinha, como conquistara tão belo semblante, qual a cultura de seu plano natal?

Nesta noite, começou a relação especial entre os tieflings e Tenebra. Segundo dizem, isto se deu milhares de anos após a luta entre a deusa e Azhger, pelo domínio do dia. Entre os lençóis de sua torre de ossos, com a pálida deusa entre seus braços, o feiticeiro relatou que veio de um mundo em guerra. Seus ancestrais, senhores de grandes reinos, fizeram pactos com entidades infernais de planos malignos, há muito tempo atrás. Deste pacto surgiram os traços físicos que ostentam desde então. Além disso, o poder dos membros da raça aumentou muito, especialmente nos caminhos da magia, graças à benção das divindades infernais. Entretanto, a ligação com estas entidades trouxe a perversão e luxúria aos tieflings, e foi esta sua ruína. Traições, mentiras e assassinatos se tornaram comuns entre eles, levando, finalmente, ao conflito com outras raças e entre as próprias casas de seu povo. No início, o poder infame conquistado graças aos pactos malignos garantiram a vitória sobre os adversários, mas os conflitos internos acabaram destruindo a superioridade conquistada com tão caro preço. Nos últimos dias de seu esplendor, os tieflings foram quase inteiramente dizimados por seus inimigos, tornando-se servos humilhados de seus mais odiados rivais!

Ao final da narrativa, o feiticeiro tinha lágrimas nos olhos e uma expressão séria no rosto, evidenciando ainda mais os traços infernais de seu semblante maligno. Tenebra, maravilhada por tão intrigante raça, revelou seu desejo de tê-lo junto de si, em sua morada no centro de Sombria. Além disso, era de sua vontade trazer o resto do povo do feiticeiro ao seu plano de existência, para serem os mais honrados moradores de seu cosmo. O tiefling a beijou e desta forma conseguiu realizar mais uma parte de seu plano maléfico! Assim cumpriu-se o desejo da deusa noturna. Os tieflings, ou uma pequena parcela deles que ainda viviam em seu mundo natal, foram transportados até Sombria onde ocuparam uma cidade na base da Torre de Tenebra. Sua devoção pela religião da deusa pálida, aliado ao temperamento ganancioso, mesquinho e lascivo, rapidamente tornou a raça os preferidos de Tenebra. Era comum que ela participasse das grandes cerimônias em sua homenagem e admirasse a beleza e devoção daquele povo tão parecido com ela mesma.

Centenas de anos após a chegada dos tieflings ao plano de Sombria, eles novamente haviam evoluído muito nas artes arcanas. O feiticeiro, primeiro dentre eles naquele mundo, e preferido da divindade lunar, buscava irremediavelmente um poder forte o suficiente para transportar toda sua raça até Arton. Com um número muito superior aos que vieram, séculos atrás, até o plano onde se encontravam, poderia conquistar aquele plano fantástico para si, usando, se necessário, o apoio de outros deuses, que eles já sabiam existir em semiplanos semelhantes ao que estavam. Isso porque Tenebra os proibira de cruzar os mundos e ir para Arton. Não se sabia o motivo, mas o desejo dela era poderoso, chegando a punir alguns descontentes que falaram contra sua vontade abertamente. Porém, a obstinação da raça está em sua essência. A proibição da deusa aumentou ainda mais sua vontade em transgredir as regras impostas. Não demorou até que tivessem o ritual necessário para cruzar os planos e ir para Arton. Porém, algo deu terrivelmente errado. Acredita-se que por interferência de Tenebra. Ao realizarem a cerimônia, conseguiram chegar ao destino, mas foram separados pelos pontos mais distantes do reinado, ao contrário do plano original, onde surgiriam todos em um mesmo reino, pra que pudessem conquistar e iniciar sua saga de dominação total. Muitos anos depois, são poucos, perdidos e vistos com desconfiança por onde quer que passem. Ao contrário do que pode se pensar, Tenebra não odiou a raça por terem desobedecido a seu desejo, mas cultivou mais amor pela impetuosidade e coragem de seus aliados. Muitos deles ainda vivem na base da torre da divindade, em Sombria, cultivando sua arte profana e recebendo seus irmãos que morrem em Arton e voltam ao plano que os recebeu antes.

Comandante tielfing traçando planos de conquista. Será que Arton irá resistir aos planos dessa raça infernal?

TIEFLING

Herdeiros de uma antiga linhagem infernal, os tieflings não têm reinos próprios, eles vivem dentro dos territórios e cidades humanos. São descendentes dos nobres de um mundo distante que barganharam com poderes sombrios e há muito tempo ergueram um império que subjugou metade do mundo. Contudo, este império caiu em ruínas e os tieflings foram abandonados para trilhar seu próprio caminho num ambiente que os teme e, ao mesmo tempo, os condena. Conhecidos por muitos como os preferidos de Tenebra, eles aparecem com cada vez mais frequência em Arton.

Personalidade: Os pactos infernais, feitos pelos tieflings séculos atrás, perverteram suas almas e influenciaram para sempre o modo como agem e enxergam o mundo à sua volta. A queda drástica de seus antigos reinos, a escravidão e fuga de seu antigo mundo concederam aos tieflings uma resistência essencial ao sofrimento e a dor. Dificilmente ele irá se surpreender com uma cena grotesca, mantendo a calma quando outros terão sua sanidade desafiada. Sua herança infame lhes concedeu aspectos maléficos, sendo egoístas, mesquinhos, gananciosos e sinistros em diversos aspectos. Estes seres costumam agir com toda determinação quando pretendem alcançar um objetivo, muitas vezes atuando de maneira sorrateira e cruel para chegar ao objeto estimado. Entretanto, são autoconfiantes e astutos, guardando grande coragem e determinação de sua antiga vida. Não oferecem sua amizade verdadeira facilmente, mas, uma vez conquistada, ela será plena. Tieflings enxergam sempre a sua volta, buscando formas de se beneficiar ou ao grupo que participa, desta forma, agindo sempre usando o melhor de sua personalidade.

Aparência: A aparência dos tieflings comprova sua linhagem infernal. Eles têm chifres longos, uma cauda grossa que mede entre 1,20 m e 1,50 m, dentes afiados e pontiagudos e olhos que são esferas sólidas em tons de preto, escarlate, branco, prata ou dourado. Medem geralmente entre 1,65 e 1,85 e pesam entre 70 e 115 quilos. A cor da pele varia como nos humanos, mas também alcança tonalidades vermelhas, que abrangem desde um rubor bronzeado até o vinho-escuro. Seus cabelos, que cascateiam por trás dos chifres, tendem ao azul-escuro, vermelho ou púrpura, além das cores normais dos humanos. Os tieflings preferem usar roupas de cores escuras e os vermelhos. Eles usam couro e peles lustrosas, pequenos cravos e fivelas. As armas e armaduras criadas pela raça normalmente assumem um estilo arcaico, recordando a glória de seu império há muito extinto.

Relações: Auto-suficientes por natureza, não é fácil lhe dar com um tiefling sem um pouco de paciência. Rebeldes em essência, eles gostam da companhia alegre dos halflings e elfos, e veem com atenção comedida a seriedade dos anões e minotauros. Admiram a coragem, mas valorizam ainda mais a astúcia e determinação, concedendo especial atenção e ajuda aos que despendem destes artifícios para cumprir seus objetivos. Não entendem o código de honra rígido dos draconatos, e admiram a espontaneidade mágica dos qarren, procurando aprender com estes o máximo que podem, quando eles mesmos também se dedicam à magia. Em sua relação com as pessoas comuns, um tiefling age de acordo com a reação despendida à ele. Se o temerem, ele usará isto para obter alguma vantagem, da mesma forma, se for objeto de curiosidade.

Tendência: A natureza egocêntrica dos tieflings os leva naturalmente ao alinhamento Neutro, não se importando com o destino daqueles que o cercam, desde que ele saia com alguma vantagem da situação. No entanto, é bastante comum que a natureza maligna de seus ancestrais se manifeste, tornando o indivíduo Neutro e Maligno, que é a tendência mais comum entre os membros da raça.          

Terra dos Tieflings: Desde que cruzaram o plano de Sombria em direção a Arton, os membros desta raça se tornaram intrépidos viajantes. Sua necessidade de viver novas experiências através de atos e viagens é quase tão grande quanto a dos humanos, tocados sempre pela ambição de sua deusa-mãe Valkaria. Raríssimos, tieflings são nômades natos. Eles podem até mesmo se estabelecer em grandes capitais, sempre agitadas e novas em pessoas e aventuras, mas a maioria deles prefere explorar as faces mais perigosas de Arton. Sua auto-suficiência, uma das mais fortes características da raça, os afasta de seus parentes sempre que possível. O tiefling é excêntrico, pretensioso. Dois seres da mesma linhagem vivendo próximos causaria no mínimo uma briga de egos, acabando em traição ou morte nos piores casos. A maior chance de se acharem dois tieflings vivendo em uma mesma região é estar em um local onde a presença de Tenebra, sua deusa preferida, seja bastante forte. Os clérigos e paladinos da deusa da noite estão, sem dúvida, entre os mais obstinados e ferozes do culto da divindade obscura. Quando se estabelecem em determinado lugar, sendo mais comum, como dito mais acima, em grandes cidades, eles preferem confabular com as mais promíscuas atividades, usando sua crueldade e malícia à seu favor para conquistar poder e influência.

Religião: Tieflings em Arton cultuam Tenebra como deusa essencial, embora possam cultivar gosto por outros deuses que representem facetas mais fortes de sua personalidade, cada uma em particular, como Sszzaas, Hyninn, Nimb, Valkaria e Keen. É comum encontrar um deles em templos e cultos sombrios ligados a Tenebra ou confabulando em intrigas perigosas e mortais relacionadas aos outros deuses. A maioria deles entende a importância do Panteão em Arton, e prestam homenagem às divindades sempre que possível, sempre obedecendo seus interesses pessoais, claro.

Nomes: Tieflings mantêm a mesma raiz dos nomes usados em seus antigos reinos infames, herdados dos ancestrais que fizeram o pacto com as entidades infernais e adotaram títulos ligados, em essência, ao idioma abissal, que era linguagem padrão em sua antiga vida. Exemplos: Akmenos, Amnon, Akta, Barakas, Bryseis,Damakos, Darnaya, Ekemon, Ea, Kayron, Kallista, Lorrigan, Lerissa, Makaria, Meleck, Morthos,  Nemeia, Pelayos, Orianna, Skamos, Theray.

Aventuras: Sejam movidos por cobiça, inquietude, ganância ou coragem, o mais importante dizer é que os Tieflings de Arton são aventureiros natos. Eles desejam conhecer as mais diversas facetas deste mundo tão novo, mágico e jovem e, para isso, procuram com afinco aventuras cada vez mais perigosas em busca da saciedade de sua inquietude ou de riquezas e poder. Buscam sempre atingir seus objetivos pessoais, mesmo que tenham que usar de meios escusos para isso, mas podem ser membros confiáveis de um grupo, desde que tenham um interesse em algo ou alguém em particular. Na maioria das vezes, procuram interagir com outros aventureiros pela simples curiosidade e desejo de conquistas. Com o tempo, geralmente, procuram se divertir testando os valores, motivações ou ideologias de seus companheiros. Sarcásticos, podem causar conflitos fatais, dependendo da disposição e paciência de seus companheiros. Em combate são mortais, embora não busquem uma luta honrada. A vitória é tudo o que importa, independente de quais meios seja alcançada.

TRAÇOS RACIAIS

  • +4 em Destreza, +2 em Inteligência, -2 em Carisma. Tieflings são rápidos, esguios e furtivos por natureza. Em sua cultura ancestral, a velocidade e eficiência sempre foram mais valorizadas que a força bruta, por isso recebem bônus na Destreza. Também são curiosos e apreciam adquirir novos conhecimentos, especialmente através da análise e estudo. No entanto, sua aparência e hábitos são vistos com desconfiança e desdém pela maioria das pessoas, por isso sofrem penalidade no Carisma.
  • Tieflings não são humanoides e não podem ser afetados por magias que afetem este tipo de criatura, como Enfeitiçar Pessoa e Dominar Pessoa. Em termos de jogo, são considerados seres Extraplanares.
  • +2 em na perícia Furtividade. Filhos de um plano sombrio, os tieflings conhecem como ninguém a sutil arte de se esgueirar nas trevas e surpreender os inimigos.
  • Visão no Escuro. Tieflings podem envergar no escuro a até 18 metros, mas somente em preto e branco.
  • Resistência a Fogo 5. Graças à sua herança infernal, os seres desta raça ignoram sempre os primeiros 5 pontos de dano quando atingidos por fogo, seja natural ou mágico.
  • Escuridão. Tieflings podem conjurar uma vez por dia a magia Escuridão, com nível de conjurador igual ao nível do personagem, como uma habilidade similar a magia.

Sérgio Magalhães

Jogaria com um tiefling em qualquer cenário!

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comentários
  1. Tarrasque disse:

    Épico! Incrível edição!

  2. [...] para personagens jogadores em Tormenta RPG. Se você não conferiu as anteriores (Draconato e Tiefling), clique e volte alguns posts e leia, pois vale à pena. Bom, os elfos negros só receberam uma [...]

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