O Último Suspiro do Reino Ígneo: Conto sobre Draconatos em Arton

Publicado: 01/08/2012 por Sérgio Magalhães em Contos, Tormenta RPG
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A legião de Dagon Fireblade cruzou as planícies desoladas em marcha rápida, deixando um rastro de sangue e saliva atrás de si. Os estandartes de Kallyandranoch, ostentando a imagem altiva do grande deus dragão, desenhado com ricas safiras negras sobre tecido escarlate, se agitavam incertas ao sabor do vento, enquanto a vanguarda seguia com os poucos guerreiros que ainda não estavam feridos, pelo menos não gravemente, como seu comandante e servos mais próximos. Havia sido uma derrota vergonhosa como nunca se vira antes, aquela obtida no dia anterior contra a horda de selvagens bugbears de Megalokk! Eles surgiram de repente das profundezas da noite, mas, as inúmeras vitórias conquistadas por incontáveis anos antes, tornaram a confiança dos servos dos dragões, uma arma ainda mais letal que os machados sangrentos dos guerreiros do deus bestial.

Dagon, após algumas horas de batalha, perdera seu lorde, o dragão verde Greanosh, e dois terços de seus soldados, sendo obrigado a abandonar as muralhas de seu poderoso lar, se esgueirando pelos furtivos caminhos da floresta profunda. Sua única chance de vingar sua honra seria juntar o resto de suas forças às hostes do reino vizinho, onde seus generais, dragões vermelhos, são temidos em todo o continente. O draconato suspirou e enxugou o sangue que escorria de sua cabeça, o olhar de seus comandados denunciava um cansaço extremo, embora mal disfarçado sobre um manto de coragem e honra. Estavam próximos, mesmo enfrentando alguns inimigos pelo caminho, os duzentos draconatos que restavam de seu orgulhoso exército poderiam marchar mesmo sobre um campo de bárbaros e ainda assim alcançar seu objetivo!

Ao longe, a fumaça subia da capital vizinha. Todos hesitaram por um instante – um brevíssimo instante que pareceu uma eternidade. Era como se a bravura os abandonasse no momento mais profundo das trevas. Dagon agarrou sua lâmina com força, fazendo suas garras sangrarem. Ele sentia todos o olharem sobre sua figura; eram guerreiros à espera de seu comandante e não poderia demonstrar fraqueza ali, quando tudo o mais parecia perdido. Nem em seus piores pesadelos imaginara estar em tanta desvantagem desde que começara a guerra contra os filhos do deus das feras. Mas não poderia recuar, não ali, naquele instante. Deu um passo duro, firme, ergueu sua lança e bradou tão alto que os escudos que o cercavam reverberaram sua fúria! A coluna se pôs em marcha, ainda mais obstinada e impetuosa. A cada passo, a coluna de fumaça e fogo se erguia mais alta e ameaçadora contra a legião de draconatos. Ao longe, se podiam ouvir os urros dos inimigos, bestas acéfalas, bárbaros sem pudor que lutavam pelo simples prazer de destruir! Mas eles não hesitaram, não mais, seguiram firmes, armas em punho, olhar compenetrado. Fireblade assumiu a dianteira de seus comandados, mesmo com um rio de sangue vertendo de seus ferimentos. Toda a esperança podia tê-los abandonado, mas a coragem estava ali, e estaria para sempre.

Ao longe, dentro das ruínas onde jaziam mortos dois dragões vermelhos, cercados por centenas de cadáveres do povo-dragão, as hordas de bugbears, pintados de vermelho pelo sangue dos inimigos, perceberam a aproximação da legião hostil e se puseram em posição de batalha. Um deles, uma fera gigante até mesmo diante dos outros membros de sua raça feral, se adiantou aos demais, que gritavam em frenesi enquanto despedaçavam os corpos dos draconatos mortos. Dagon Fireblade, primeiro guerreiro dos reinos do norte, comandante das forças de Greanosh, correu em direção ao gigantesco inimigo, seus passos ecoavam, estilhaçando o pavimento de mármore que levava até a entrada da cidadela dos dragões. O bugbear correu em resposta, brandindo uma massa colossal feita de ossos e pedaços de lâminas partidas. Quando se aproximaram a ponto de enxergarem o brilho dos olhos adversários, as duas hostes calaram. Foi quando os combatentes se chocaram!

O enorme bugbear golpeou o draconato com sua massa esquelética, mas este esquivou por pouco e a arma deixou uma cratera grotesca onde antes estivera o inimigo. Dagon sentiu uma dor lascinante, não por ter sido atingido, mas pelo esforço da batalha anterior e pelo descanso negado ao corpo tão desgastado. Por um momento, sua visão ficou turva e ele caiu de joelhos; o movimento rápido diante da investida, parecia ter roubado suas últimas forças. O inimigo riu enquanto erguia sua arma infame para descer com um golpe fatal que, certamente, estava pronto para estraçalhar o crânio de Dagon. O guerreiro sentiu a morte, não somente a sua, mas de todos os soldados atrás dele, dependentes de sua liderança, confiantes em sua honra e poder. Ele nunca sentira aquilo, uma vergonha que parecia sugar sua essência, fazê-lo parecer menor até mesmo que a mais insignificante das criaturas. Viu, em um movimento lento, uma eternidade, a arma do monstro descendo contra ele, um arauto da morte, portador da vergonha eterna. Porém, uma visão se apresentou aos seus olhos ensanguentados, seu deus! O mais alto e forte draconato que já vira, trajando uma armadura escarlate capaz de cegar se fitada por muito tempo; seu deus o encarava, com olhos de reprovação! Não poderia falhar, não ali, naquele instante. No mesmo momento, sentiu uma dor lascinante no estômago, o peito ardeu como mil sóis, seus olhos brilharam e as pernas ganharam a força de cem guerreiros. Ergueu a cabeça e viu a arma descendo contra seu crânio, a sombra dela o encobriu, assim como o corpo do enorme inimigo diante dele; sorriu, arfou o peito e soltou uma rajada de fogo tão poderosa que somente os ossos sobraram no bugbear que nem ao menos viu a morte se aproximar!

No mesmo instante a legião de draconatos ergueu suas armas e gritou, fazendo seus urros serem ouvidos por toda Arton! Atrás deles, uma sombra de ergueu, cobrindo o sol, trazendo consigo a revanche tão merecida. Sckhar, rei dos dragões, se adiantou dizimando as hordas de Megalokk enquanto Dagon Fireblade se erguia totalmente, fitava a desolação à sua frente e dizia sorrindo “não aqui, não hoje”.

Sérgio Magalhães

Lendo em ritmo acelerado!!

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comentários
  1. Lucas Vieira disse:

    muito bom deu vontade de jogar D&D como draconato kkkk

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