Diário de Campanha (Space Dragon): O Resgate da Princesa-Imperatriz (1ª sessão)

Publicado: 03/08/2012 por Sérgio Magalhães em Space Dragon
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No último sábado (28/07) tive o prazer de narrar, no encontro semanal do Vila do RPG na Livraria Feira do Livro, o jogo Space Dragon, do autor Igor Moreno, lançado recentemente pela Redbox Editora. Há algum tempo tinha vontade de conferir como ficou esta adaptação do sistema de Old Dragon para aventuras espaciais sci-fi pulp e, após ter jogado com a galera, decidi relatar aqui o que rolou na partida. Vale ressaltar que utilizei na narração uma impressão do Fast Play gratuito disponibilizado no site da editora. A aventura foi autoral, chamada O Resgate da Princesa-Imperatriz inspirada no quadrinho do Conan As Filhas de Midora. Ela tinha o objetivo claro de ser simples, rápida e desafiar, dentro do enredo, as habilidades inatas de cada um dos personagens básicos do jogo. Para a aventura, criei cinco personagens prontos de 1º nível, todos bem básicos e estereotipados, para melhor aproveitar os desafios propostos e imergir inteiramente no clima do cenário, foram eles: Johnnie Walker (mutante/mentálico), Milla Orloff (humana/gatuna), C-51 (andróide/homem espacial), Jack Daniels (humano/homem espacial) e o Dr. Red Label (humano/cientista).

Relato

As vielas, compostas por paredes metálicas levemente enferrujadas, eram uma constante em toda Onderon-IV, uma estação espacial cravada na borda da galáxia. Em uma das docas, vazia e sem vida, contrastando com a grande movimentação de outros momentos do dia, uma figura furtiva cruza as passagens sujas e caóticas desta zona da estação. Defronte a um portal metálico ele é recebido por dois guardas atentos e receosos. Após uma breve conversa insalubre, é permitida sua entrada na grande construção de metal. Em poucos momentos, ele entra na sala de Absolut, um dos mais influentes senhores do crime em Onderon-IV. A aparência alienígena, cabeça alongada, branca e com olhos profundos e negros, já é conhecida pelo visitante. Ele é Jack Daniels, um dos homens espaciais mais atuantes na estação. Uma rápida troca de olhares dá início ao diálogo objetivo do contratante. “Preciso de alguém de confiança para uma missão que exigirá bem mais descrição e sutileza que força bruta. É capaz de cumprir tal desafio?”. Com um rápido aceno de cabeça o homem espacial afirma que sim. “Ótimo – responde satisfeito Absolut – porém, você terá uma companhia desta vez”. Só neste momento, o visitante nota a presença de mais uma pessoa, situada em um dos cantos sombrios no interior do salão. “Este é Johnnie Walker, alguém de grande confiança para mim, e para você também, a partir de agora”. O rosto inexpressivo do contratante passava confiança pelo tom de voz inalterado. Rapidamente, os dois percebem que podem confiar um no outro, pelo menos diante das circunstancias que os envolvem. Depois de uma rápida troca de olhares, eles ouvem a missão dada por Absolut: “Existe um capitão nesta estação que vem passando nos limites, preciso que o observem para mim por algum tempo e me tragam as novidades”. O contratante mostra uma imagem da nave do capitão e os deseja boa sorte em sua missão. Impassíveis, os dois deixam a sala sem trocar palavras, mas com o passo firme em direção ao seu desafio.

Em um bar decrépito no centro de Onderon-IV, o Doutor Red Label e seu fiel servo, o androide C-51, permanecem divagando sobre suas próximas investidas. Há algum tempo o doutor não faz avanços significativos em seus estudos e a frustração começa a dominar seu temperamento. De repente, a paz do local é rompida por uma briga em um dos cantos; uma jovem garota é cercada por três brutamontes. Eles discutem por alguns instantes até que um deles tenta agarrar a garota com suas mãos grossas sujas de óleo. Um cruzado no queixo leva o grandalhão ao chão em um instante! Os outros dois preparam uma investida furiosa, mas são detidos por dois guardas que entram no recinto. A jovem se afasta e senta ao lado do cientista. Ambos permanecem neutros durante algum tempo, até que o doutor Label pergunta se ela está bem. Com um leve sorriso nos lábios, a garota fala: “Parece ser um cientista, exatamente de alguém como você que estou precisando”. Ao ver o interesse do homem, a jovem afirma estar em uma aventura de pesquisa científica e que está interessada em contratar os serviços do homem. O Dr. Label vê, finalmente, sua oportunidade de avançar em seus estudos científicos. Em poucos instantes os três deixem a cantina em direção à doca norte da estação.

Capitão Simius. Herói ou vilão? Difícil saber à primeira vista…

Em um canto escuro da doca norte da mesma estação espacial, uma sorrateira gatuna se esgueira nas sombras enquanto espera por seu contato de trabalho. Após alguns instantes, ela observa a aproximação de dois homens. Um deles veste roupas nobres, enquanto o segundo parece um aventureiro espacial, portando na cintura uma pistola laser. Em dado momento eles também a percebem e param. Um clima de tensão se instala entre a gatuna e os visitantes inesperados. No fim do beco escuro, que servia até então de refúgio a Milla Orloff, surgem três figuras. Elas, sombras indistinguíveis de início, se revelam como sendo uma mulher, um homem e um androide de base robótica exposta. Eram nada menos que Tequila, a jovem garota do bar, o cientista Dr. Red Label e seu fiel servo C-51. A jovem cumprimenta a furtiva gatuna, e informa ser ela a contratante e o motivo de Milla estar ali. No mesmo instante, uma das naves pousadas na doca da estação abre sua porta. Neste momento, o grupo que conversava no beco nota a presença dos dois homens próximos da nave. Aliás, de dentro dela surge uma figura incomum, um humanoide gorila com vestes chamativas e olhar desafiador. Os dois homens, Johnnie Walker e Jack Daniels, se aproximam rapidamente da nave, enquanto o grupo de Tequila faz o mesmo. A jovem afirma ser a contratante, também, da nave do capitão Simius, o humanoide gorila em questão, e que está ali para ir ao seu objetivo, o planeta Helius II. Percebendo que o cientista, a gatuna e o androide estão com Tequila, capitão Simius os saúda e convida para adentrar em sua nave, só então dá mais atenção aos dois outros homens próximos. “E vocês, o que desejam?” Jack Daniels afirma estar na doca procurando trabalho nas naves. Diante da oferta, o capitão abre um sorriso de intenções duvidosas e lhes oferece uma vaga em sua nave. Desta forma, todos entram na nave e se tornam um único grupo.

No sala de convivência da nave de Simius, todos se acomodam, enquanto Jack Daniels e C-51 vão até a cabine da nave para pilotar até seu objetivo. Então Simius aparece e fala “É uma grande satisfação recebê-la em minha humilde nave, princesa Tequila – fala o capitão se dirigindo à jovem”. No mesmo instante, a gatuna e o cientista olham espantados para ela, afinal, até o momento a princesa não tinha declarado sua condição, e real objetivo de sua viagem. Percebendo o estranhamento de seus companheiros, ela afirma “Peço desculpas por omitir este aspecto deveras importante de minha condição, mas não poderia revelar mais do que o necessário na estação, afinal, muitos poderiam querer tirar vantagem disto se soubessem quem realmente sou; por isso, dispensei uma escolta real ou qualquer outra proteção de meu pai. Bem, sendo bastante clara convosco, devo revelar a verdadeira natureza de nossa: minha irmã, princesa Vodka veio até a estação, secretamente, assinar um acordo de paz com um povo invasor que anda devastando nosso mundo. No entanto, ao que parece, nosso conselheiro que a acompanhou nesta empreitada, a sequestrou, provavelmente, aliado aos nossos inimigos”. A princesa demonstra grande tristeza ao relatar o fato, e afirma que é ser dever, resgatar a irmã e punir o conselheiro traidor e, para isso, precisa da ajuda de seus companheiros.

Embora contrariados, Milla Orloff e Dr. Red Label dão sua palavra que irão ajudar. Johnnie Walker, o mentálico, diz estar ali em outra missão, mas que ajudará no que for possível. Enquanto falam, um grande estrondo abala a estabilidade da nave. O barulho parece ter vindo da parte superior do veículo, exatamente de um lado onde Simius havia sumido algum tempo atrás. A gatuna rapidamente abre a porta e o grupo desce para verificar o que houve, menos C-51, que pilota a nave, e o Dr. Red Label, que permanece na cabine arrumando o painel de controle em pane! Descendo uma pequena escada, chegam até um pequeno galpão de carga. O local está escuro, a não ser por uma luminária que pisca irregularmente. Nenhum barulho é ouvido e não existe nenhuma avaria aparente na estrutura da nave. Milla atira na direção de algumas cargas caídas e, neste momento, uma estrutura metálica com uma forma estranha se ergue e ataca os personagens. Os companheiros se espalham atirando contra o inimigo, enquanto este, escondido atrás de entulhos, atira de volta. Os tiros de laser cruzam o salão de cargas iluminando tudo com sua tonalidade avermelhada. As investidas da estrutura robótica passam bem próximo dos defensores, especialmente de Jack Daniels, que se adianta no combate. Em determinado momento, a monstruosidade de metal deixa seu refúgio e ataca o grupo. Se aproveitando disto, vários tiros laser acertam o alvo e destroem a criatura. Nenhum dos tripulantes parece ter se ferido no confronto e eles decidem investigar melhor o ambiente.

A nave do controverso Capitão Simius.

No exato momento que a criatura de metal desaba, o Simius aparece de uma porta oculta situada no fundo do recinto. “O que está havendo? – diz enfurecido o capitão – estes malditos robôs quase destruíram minha nave, como eles entraram aqui?” Dr. Label se aproxima do robô e percebe que existe nele, bem apagado e escondido, um símbolo da corporação de Absolut, seu contratante. Jack Daniels e os outros desconfiam do capitão e tentam visualizar o que existe além da porta oculta de onde saiu. Olhando de soslaio, percebem apenas um pequeno corredor com as paredes revestidas de fios e comandos operacionais. Daniels tenta atravessara porta e é ameaçado pelo capitão que reage furiosamente diante da afronta. Label intervém e pede para que todos voltem a suas acomodações. Todos sobem para a parte superior da neve e descansam por algum tempo.

Pouco tempo depois a nave chega à superfície de Helius II, o planeta objetivo do grupo. Tudo corre bem até que um poderoso raio, vindo do planeta, atinge a nave e eles caem no meio de uma grandiosa floresta. A porta da nave é aberta e árvores imensas resguardam todo o ambiente em volta deles…

Conclusão

Bem, então foi isso galera. Falando como narrador, gostei do sistema, prático e intuitivo como no Old Dragon. Tudo bem simples e funcional. Cheguei a ter umas pequenas dúvidas sobre o funcionamento do poder dos mentálicos, mas dei uma improvisada nisso e nos poderes, como estes se aplicam em jogo e qual a extensão deles. Mas nada demais. O sistema ficou bom e altamente recomendado tanto para iniciantes, quanto para veteranos. O clima da ambientação é fantástico. A mistura de sci-fi com medieval de alguns lugares mais primitivos dá um “sabor” especial ao fluir da sessão. Agradeço aos amigos que participaram do jogo, em especial, aos companheiros do grupo Filhos da Gehena, e nos vemos na próxima e decisiva sessão!

Confira algumas fotos da jogatina:

Capa da versão Fast Play e algumas miniaturas de Star Wars e Hero Clix usadas por mim na sessão.

O grupo todo concentrado na narrativa…

Um pouco de “diversão forçada”, para a foto, hehehe…

Hora do combate! Posicionando as miniaturas no tile…

A galera procurando a melhor estratégia no combate…

Sérgio Magalhães

Não adianta, não gosto de Star Trek …

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Comentários
  1. [...] em um único texto. Se você não acompanhou a primeira parte desta aventura interestelar, clique AQUI e veja agora. Bom, sem mais delongas, vamos ao [...]

  2. mestremagico disse:

    Salvei esta história em PDF e a lerei durante o trabalho. Estou tentado a comprar o Space Dragon. Sucessos Decisivos a todos.

    • Sérgio Magalhães disse:

      Legal Mestre Mágico. Espero que goste! E não deixe de acompanhar a última parte da aventura.

      Abraço

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