RPG e Educação

Fala aí galera RPGista! Este post apresenta um panorama geral sobre RPG e Educação. Como professor sempre me interessei por meios pedagógicos alternativos, dentre eles o uso do RPG em sala de aula. No fim deste ainda indico alguns sites interessantes sobre o assunto.

Ao contrário do que possa parecer, o uso do RPG como proposta pedagógica não é uma prática recente. Nos Estados Unidos, esta parceria já vem colhendo bons frutos desde os anos 80. Um dos primeiros a aplicar o conceito dos jogos de interpretação em sala de aula foi Dave Arneson, isso mesmo, um dos criadores do RPG como o conhecemos. No Brasil esta prática vem ganhando força, principalmente pela divulgação que o jogo ganhou entre os jovens, e um grande número de professores que se formaram jogando enquanto faziam faculdade, ou até bem antes. Grandes eventos especializados no estilo, como: Encontro Internacional de RPG e o Dia D RPG, disponibilizam cada vez mais espaço ao tema, através de palestras e material lançado. Também são realizados encontros, ou simpósios dedicados exclusivamente ao assunto, em todo o país!

Certo, mas após tudo isso, como o RPG pode ser usado em conjunto com a educação? Ora, as possibilidades são enormes! Pense por alguns instantes como seria o jogo sem a influência da Literatura, História e a Arte, para ficar apenas nas disciplinas mais evidentes. O RPG é uma junção de várias manifestações artísticas, e estas são vistas em diferentes disciplinas escolares. Por exemplo, se você esta jogando Castelo Falkenstein, poderia incentivar os jogadores a falarem em linguagem culta (Lingua Portuguesa), ou seus alunos-jogadores estão diante de um mundo Cyberpunk ou Invasão, um bom conhecimento de Química, Física ou Biologia seria de grande utilidade.

Porém, antes de partir mais a fundo o tema, um aspecto deve ser citado: o RPG é realmente a melhor proposta didática para ser aplicada na ocasião? Todo educador tem em mente que, para fixar aos alunos o conteúdo, ele deve dispor dos melhores recursos pedagógicos possíveis, que em alguns casos não passa da velha aula tradicional, de exposição de conteúdo no quadro. O RPG só deve ser usado quando seus objetivos são claramente aplicados aos objetivos pretendidos pelo jogo. Entre os estudiosos do assunto, chegou-se a um consenso. O uso de jogos de interpretação é uma excelente ferramenta de socialização, cooperação, interatividade, interdisciplinaridade, dentre outras mais. Se os objetivos entre conteúdo e jogo são atendidos, deve-se parar um pouco para atentar para um outro aspecto fundamental: como aplicar o tema. O RPG existe para colocar os jogadores diante de situações que eles não passariam em seu cotidiano. No processo de aprendizado isso também e recomendado, porém, outra característica deve ser analisada com cuidado: como o conhecimento será analisado?

De que maneira incentivar que os jogadores-alunos se interessem pelo conteúdo estudado? Para que isso seja aplicado de forma satisfatória, atente para a ambientação e os desafios propostos. Professores de História tem um dos melhores acervos já prontos para utilizar. O sistema GURPS, que teve vários lançamentos sobre temas históricos é um prato cheio para educadores: Império Romano, Cruzadas, Descobrimento do Brasil, Entradas e Bandeiras, Quilombo dos Palmares, acertam em cheio na ambientação para aulas especificas desta disciplina. No entanto, não só em uma matéria. Tomemos como exemplo o título Mini GURPS O Descobrimento do Brasil. Que oportunidade melhor um professor de Literatura teria para estudar obras como: Carta de Pero Vaz de Caminha, Viagem ao Brasil, de Hans Staden, ou até mesmo Iracema e Ubirajara de José de Alencar, dentre uma infinidade de títulos que tratam deste mesmo assunto! Lógico que, como qualquer aventura que se vá mestrar, o professor deve preparar com bastante atenção, para adequar os temas à ambientação e fixar de modo satisfatório o conteúdo pretendido.

Mas que sistema utilizar? Aqui, o que deverá ser privilegiado é a ambientação, pois além de se divertir, o mestre-professor tem o propósito de ensinar. Então recomenda-se o uso de sistemas simples: 3D&T, Gurps Lite, ou até mesmo um sistema mais simples, inventado, pode suprir bem este aspecto. O maior desafio que os alunos-jogadores devem enfrentar são aqueles úteis ao aprendizado. Driblar dificuldade para conseguir seus objetivos, aprendendo a superar os desafios, devem ser a maior proposta do educador nesta área.

Como dito acima, aliar o RPG ao ensino tem diversos benefícios. O jogo em si já traz uma interação com diferentes formas de arte e aprendizado. Mesmo fora do contexto didático, o RPG apresenta incentivo a leitura e a interação social, fato que contribui muito em um ambiente escolar. Para finalizar, vale repetir: o educador que pretende aplicar o RPG em sua proposta didática deve ter grande cuidado com ambientação e levar, antes de aplicar o jogo, a proposta ao conselho pedagógico da escola, ou instituição, e procurar fazer um trabalho de conscientização, e sempre estabelecer metas, já que, o real objetivo não é puramente a diversão, mas o ensino.

Alguns sites interessantes:

http://www.historias.interativas.com.br/

http://www.jogodeaprender.com.br/

 

Sérgio Magalhães

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9 comentários sobre “RPG e Educação

  1. Sérgio, ótimo post. Recentemente tive uma dúvida/necessidade e não soube a quem perguntar.
    Minha esposa é professora de alunos de 5~7 anos de idade. Ela me pediu para criar uma aventura de RPG que pudesse ser utilizada com as crianças da sala dela, falando sobre o folclore brasileiro.
    Foi uma pena não ter dado tempo, pois mês está acabando e não poderemos fazer isso.
    Se soubesse antes que você era professor, teria pedido umas dicas.

    No mais, eu li os dois primeiros simpósios sobre RPG e Educação e são materiais muito bons, não só para aplicar o RPG na educação, mas dão boas idéias para se ensinar RPG a quem não conhece.

    Abraço.

  2. Ótimo post, meus parabéns!

    Coincidentemente estive pesquisando sobre o assunto e encontrei algumas experiências em sala de aula com o RPG. Inclusive, nesse semestre, resolvi utilizar o RPG com minhas turmas do curso de inglês.

    Como sempre temos a liberdade de utilizar ‘games’ ou diversas atividades lúdicas com o intuito de praticar a língua inglesa em sala, não precisei de permissão ou coisa do tipo. Apenas uma explicação rápida de como a atividade seria dada foi necessária para a coordenadora local das minhas turmas. Se fossem aulas em escolas, aí seria diferente…

    De todo modo, para compartilhar com vocês, vou explicar brevemente o que estou fazendo.

    Tive uma vontade imensa de usar o RPG como prática de inglês, pois as atividades utilizadas no meio já estavam um pouco “batidas” e alguns alunos teimavam em não participar direito por falta de motivação. Procurei então uma aventura-solo que eu lembrei ter gostado bastante da época da extinta (e já foi tarde) Dragão Brasil. Na verdade, essa publicação era muito boa na época e não posso “cuspir no prato que comi” por vários anos.
    Essa aventura se chama “Herança Maldita” e foi publicada na Dragão Brasil nº 13 por Grahal (juro que na revista não existe um nome de verdade para esse indivíduo e esse é o máximo de crédito que ele recebeu).
    Reli a aventura – que foi mais um daqueles prazeres nostálgicos, cofesso – e comecei a narrá-la para uma turma minha ao final de cada aula. Com a medida em que a narrativa se desenrolava, os alunos ficavam mais e mais empolgados. Uma aluna em específico, que era super quieta, começou a falar mais e participar de um modo que achei muito satisfatório. As aulas já começavam com alguém perguntando: “Não vamos continuar aquela estória não, professor?” e os 10 minutos finais começaram a ficar cobiçados. Um dos alunos mais faltosos, por duas vezes, entrou na sala somente no final da aula, na hora da atividade. Ele faltou à aula, mas não ao jogo! Que minha coordenadora não leia isso…
    Ainda não acabei essa aventura, mas já consegui o principal, pois os alunos-jogadores são obrigados a utilizar o inglês para interagir com as pessoas (ambientei o cenário nos Estados Unidos). A participação em sala melhorou 100 por cento e estou até pensando em premiar os melhores alunos de cada aula com um pontinho a mais na ficha deles, hehehe.
    Baseado nesse sucesso parcial, utilizei a mesma atividade com outra turma e logo de cara, no primeiro dia, o resultado foi estrondoso: os meninos não queriam sair da sala e começaram a implorar que eu continuasse! Um deles iria faltar a aula seguinte por motivos de consulta com dentista, ou coisa do tipo, e já estava implorando para que eu continuasse na aula posterior, já que ele estaria ausente nessa aula seguinte.
    O sistema utilizado é um criado por mim, baseado apenas em atributos físicos e mentais, sem perícias ou coisas do tipo, que utiliza apenas um dado de 6 faces, porque tenho um daqueles grandões laranjas feitos de isopor que comprei numa viagem que fiz esse ano e fica melhor para ser visualizado pela sala inteira. É o mais simples possível, apenas para não deixar a cargo do professor-narrador as decisões.

    Bem, com esse breve relato, apenas reforço o que o Sérgio disse nos post, o RPG é uma ferramenta lúdica muito eficiente para o aprendizado dos alunos e, seja qual for a matéria, vale a pena arriscar com suas turmas. Algumas certamente terão resultados pedagogicamente favoráveis.

    1. Cara, muito massa Helton!
      Eu já estou pensando a algum tempo em utilizar RPG nas minhas aulas de História, mas ainda não organizei uma metodologia, apesar de ter lido várias coisas a respeito.
      Acho que eu, você e o Sérgio (os professores do grupo) poderíamos depois montar um projeto nesse sentido.

      1. Certamente, meu velho! E você tem o trunfo de dar aulas de História, a melhor matéria de todas para utilizar RPG. Gostaria mesmo de compartilhar idéias para fazer algo mais concreto e quem sabe até disseminar isso entre nossos colegas não-RPGistas (ainda…).

  3. Valeu mesmo os elogios galera. Embora o post seja bem superficial, ele tem por objetivo apenas iniciar os leitores e ambientar os mesmos nesta prática de ensino. Por isso inclui os sites mais específicos no final. Com certeza devo postar algo a respeito no futuro, ou se alguém se empolgar poderia postar também.

  4. A empresa MagicZone, especializada na criação de RPGs, será lançada em setembro.
    Parte de seus RPGs serão educativos, para crianças e adolescentes.
    ótimo post!
    O material do RPG(mapas, fichas, contos..), vem gravado no cd-rom, e variam entre R$20,00 E R$35,00
    fazemos RPGs temáticos e pedagógicos.
    .
    Para mais informações envie um comentário para o nosso e-mail.
    (o site ainda está em construção, e só estará disponível em setembro)

    obrigado.

  5. Boa, Sérgio!
    Estava justamente esperando a oportunidade de indicar aos professores esses esforços que vão aparecendo, inclusive, se der certo o trabalho de vocês(Sérgio, Dmitri e Helton) que posso servir de porta de entrada para muitos profissionais do ramo.

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