Narra-A-Ação: Perdendo a batalha para o eletrônico (1ª parte)

Ok, ok, batendo em teclas tão apertadas que saltam no teclado quando escrevo que quase não continuei com o post por acreditar que o assunto não dá pano para manga. Mas no final das contas li e reli matérias e mais matérias sobre o assunto até acreditar que o que poderia ser um assunto batido passa – ao meu entender – de um assunto batido APENAS por um ponto de vista.

crônicas repetidas: tédio.
crônicas repetidas: tédio.

Não é incomum e tão massante a velha pelenga: os jogos eletrônicos estão acabando com os grupos de RPGs e/ou com o hobby em uma forma geral. É, podemos até pintar o quadro do: corram! o RPG eletrônico está invadindo a vila(do RPG ;p)! Run to the hills! Pronto. São abertas as portas celestais para os “mimimis” mais lamuriosos: jogadores faltando as sessões mas nunca estão offline no World of Warcraft, mestres preferem criar cenários no Aurora Toolset (editor de cenários/campanhas para o game Neverwinter Nights) e jogarem com players desconhecidos à criarem crônicas no velho caderno colegial com 32 descrições de personagens para jogar com o seu grupo. Ou ainda e o meu preferido: esses novos jogadores da geração MMORPGs são criados a base de Hack & Slash e tem um visão “distorcida do O QUÊ é  RPG” . Dessa aparentemente nem a poderosa Wizard of The Coast escapou. Entre outros tantos “problemas” que surgem em praticamente todos os grupos de RPG existentes ao redor do mundo.

Até aí nenhuma novidade, pelo menos no ponto de vista dos reclamantes, difícil  é olhar para o umbigo (metafísico) do problema!

Já pararam para pensar que com o decorrer dos anos os grupos foram acumulando os seus erros – dificilmente aprendendo com os mesmos – coisa que os jogos onlines NÃO fazem – e nem podem se dar ao luxo – tornando-os mais atraentes para o público que o grupo em si?

As crônicas começam a se repetir, os jogadores só fazem O MESMO tipo de personagem SEMPRE. E sempre matando os NPCs mais importantes sem motivos. Pois é! Aquele mesmo que você investiu tanto na profundidade psicológica.

E por fim, afim de exemplificar alguns parágrafos acima: o jogador novato tenta encontrar um grupo para que ele possa aprender a jogar. Além de não poder contar com sua “poderosa” desenvoltura social nerd ainda tem de enfrentar a má vontade de muitos veteranos e outros narradores sádicos. Aí já viu, né? É voltar para os MMMORPGs  e quando der – acentuando esse  E QUANDO DER – jogar uma mesa da forma como ele aprendeu – naquele servidor pirata que ele preferiu a pagar uma mensalidade do fabricante com várias features: bugs, cheats e muitos malas. Tantos e tantos problemas que tiram a diversão do RPG e a idéia de jogos eletrônicos se torna mais atrativa.

Bom era aquele RPG de antigamente...inacessível..

É chover no molhado em dizer que todo problema tem dois lados. Em alguns casos, vários lados. Mas basta abrir um pouco mais seu horizonte para remediar esses problemas. Ou, se for caso, evitá-los, tentando consertar alguns problemas comuns ao nosso hobby antes que essa forma de entreternimento volte às sombras de onde vieram.

A grande maioria criadores de games em geral (gamedesigners) tanto eletrônicos como não eletrônicos quando decidem trilhar esse caminho, profissionalmente, o fazem através dos meios mais lógicos como a carreira acadêmica e um mergulho instrospecto na industria própriamente dita. Todos eles aprendem algumas técnicas para problemas básicos, estudam paradigmas e  exercitam suas capacidades intelectuais na missão de trazer a diversão em suas criações. Por quê com os narradores deveria ser diferentes? Afinal de contas, de uma forma ou de outra (às vezes literalmente), estamos sendo gamedesigners também!

Hei que a indústria dos eletrônicos tem os seus acertos e que deveriam estar aprendendo com eles ao invés de estarmos batalhando contra! É óbvio que muitos dos criadores desses jogos eletrônicos aprenderam com os de tabuleiros e os RPGs tradicionais!

Descreva essa cena!
Bonito não? Descreve isso na tua mesa! me faça chorar!

Conhece os teus!

O primeiro lugar que poderiamos começar é estudar o conhecer os limites do hobby, dentre eles:

– Até onde vai o poder de imersão do RPG tradicional?

– Quais a ferramentas que contamos para entreter-nos?

– Quais os problemas mais comuns que obstruem as ferramentas básicas?

– Aonde a industria chegou para aprimorar o RPG tradicional?

Com essas perguntas em mente eu deixo essa primeira parte para a nossa segunda parte onde partiremos para a análise junto a alguns passos importantes que a indústria de jogos eletrônicos galgou para atingir o sucesso que tem hoje e o que poderemos também fazer para conseguir resultados semelhantes.

Até a próxima,

Edward “Toy” Facundo

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16 comentários sobre “Narra-A-Ação: Perdendo a batalha para o eletrônico (1ª parte)

  1. O legal dessa era RPG eletrônico é que os players que gostam mais da “evolução do personagem” ficam no pc, e os que gostam mais do role play ficam na mesa. 🙂
    É fácil perceber a diferença. Entregue uma ficha, se ele escrever o nome e virar pra parte em branco pra descrever o personagem é um role player. Se começar a pintar bolinhas, ou puxar uma calculadora, hold on pois você mestre deverá usar seus poderes cósmicos pra ignorar o player que quer desafiar o mestre dos magos pra voltar pra casa mais cedo.

    1. ahahah, é realmente uma boa forma de detectar, mas há quem se divirta assim! o problema então que um seria o substituto para do outro? é o cerne a questão central!

  2. Assunto muito bom, acredito que o RPG precisa ser de alguma maneira renovado, estão voltando com os livros-jogos, as novas edições continuam surgindo, mas já faz algum tempo nada de novo é criado.
    Acredito que os MMRPG não se encaixam na categoria “RPG” pois em nenhum momento o R ( Role ) é utilizado.
    Sempre penso nisso, tenho algumas idéias, mas ainda acho que uma próxima grande sacada é que vai reformular/atualizar e re-inventar o conceito do RPG clássico.
    Abraço

    1. Salve, Thiago!
      Boa colocação e esse é um ponto que pretendo explorar na continuação.
      Agora se temos em RPGs eletrônicos a falta dessa interpretação livre do personagem, já no onlines teriamos a liberdade de intrepretar-los entre os outros participantes…morreria “teoricamente” esse limite.

      O que se pode levantar é o quão “dispensável” é o Roleplay do jogo…um problema não seria então limitado somente ao jogos eletrônicos, não é mesmo?

  3. Questão muito polêmica e instigante essa levantada pelo Toy. Difícil analisar objetivamente, pois existem vários fatores que influem nessa questão. Bom, mesmo correndo o risco de iniciar os mesmos “mimimis” de sempre, já que nunca tive ânimo para tal em outros blogs, compartilho aqui minha visão distorcida dos fatos.

    Não penso que “RPGs” eletrônicos possam competir com o autêntico RPG. Até pq nem acredito nesse lance de “RPG Eletrônico”; isso pra mim não existe. Impossível representar personagens através do teclado, impossível transmitir a emoção característica de jogar ao redor da mesa com camaradas que podemos chamar de amigos. O RPG é uma atividade EXTREMAMENTE social e tal grau de sociabilidade e interação ainda não pode ser reproduzida pelos RPGs de Massa (graças a Deus). Aliás, grande competidor dos RPG tradicionais (e esse sim uma grande “ameaça”, no meu entender) são os board games que a cada dia ganham mercado no Brasil e no mundo, e esses sim tem arrastado os jogadores das mesas tradicionais de RPG para jogos com regras específicas, muitas vezes práticas e fáceis e que oferecem praticamente o mesmo grau de sociabilidade que o RPG, com o bônus que você pode jogar tranquilamente com a esposa, mãe, pai, irmãos, etc. sem correr o risco de qualquer preconceito.

    Embora a maioria dos jogadores de RPG tradicional aprecie um bom RPG eletrônico (que, aliás, está em grande escassez) o fazem pelo desafio da história e dos puzzles (que hoje em dia são fracos e batidos). E para eles representa o mesmo interesse de se assistir a um bom filme. Diga-se de passagem, que tal interesse muitas vezes é o de captar ideias para aventuras ou ver traduzido em imagens o que eles apenas imaginavam.

    Acredito, dentro dessa visão distorcida que tenho, que a escassez de “bons jogadores” (se é que existe isso de jogador bom ou ruim, sistema bom ou ruim, cenário bom ou ruim…) ou de jogadores de forma geral (pelo menos em quantidade suficiente para manter o mercado aquecido), deve-se a N fatores dentre os quais a competição com os jogos eletrônicos é apenas um e nem é o mais grave. Problemas como a falta de boa publicidade – aliás, aqui no Brasil RPG só teve publicidade ruim de verdade – falta de jogos voltados para um público alvo mais promissor (a Jambô tem feito um bom trabalho no sentido de sobrepujar essa falha), são dois dos principais problemas que vejo para o futuro do hobby no Brasil. Propaganda de boca a boca e via web são úteis, mas não pode ser comparadas com mídias de massa, além de só atingirem o público alvo já existente, sem ampliá-lo em praticamente nada, ou numa taxa muito baixa. As empresas ligadas ao RPG dificilmente investem em publicidade, ou pq não querem associar-se com o tema, ou por falta de recursos, ou sei lá por qual outra razão e isso é um grande entrave ao crescimento do hobby. E mostra que ao invés de investirem em novos jogadores (que atualmente seria o melhor para o crescimento do mercado) as editoras gastam tempo e publicidade em “pescar peixes do aquário” uma das outras – parêntese aqui para a Jambô que, em certos pontos, tem investido na contra maré e tem tudo pra obter sucesso.

    Existem claro, outros fatores que poderíamos citar, mas esse texto já está grande e chato demais pra continuar. E como não quero provocar mais polêmica do que o estritamente necessário, fico por aqui mesmo.

    Um forte abraço.

  4. Eu diria que os MMOs acima de tudo é que roubam certos players. O vício é grande demais e já tive amigos que deixaram de ir em certos compromissos porque TINHAM que estar jogando em grupo para fazer um “raid” qualquer ou sei lá o que.

    Eu sou gamer, adoro RPGs (ocidentais e action-rpgs), e já passei horas e mais horas imerso em Mass Effect e Fallout 3, mas nunca deixei de ir numa sessão de mesa por causa deses jogos, pois diferente das porcarias dos MMOs, eu não preciso ter um compromisso com o jogo online, correndo o risco de ficar para trás na pilhagem e progressão do personagem.

    E mesmo os RPGs eletrônico que eu gosto (como os já citados Fallout, Mass Effect, etc.) não vão substituir o nível de interação e interpretação que o tradicional ainda tem. Pra isso vai exigir o desenvolvimento de uma I.A. que dê o mesmo feedback que o mestre dá. Concordo que pelo menos na parte visual, os jogos eletrônicos estão levando vantagem… hehehe! Confesso também que um tiroteio em tempo real em Mass Effect é muito mais divertido que um combate com miniaturas, mas acho que no final das contas, depende do mestre criar um diferencial.

    Em suma, não acho que RPG eletrônico e tradicional devam brigar. Afinal o console e o PC estão na sua casa todos os dias pra você, mas se você não consegue largá-los UM dia da semana sequer para se encontrar com os amigos e jogar na mesa, aí você tem sérios problemas.

    Visitem lá o meu podcast sobre GAMES… hehehehe! Que faz parte de um portal com podcasts de RPG tradicional. A gente lá não briga. 🙂

    http://godmodepodcast.com/

    T+

  5. Sinceramente acho que existe espaço para os dois. Jogo RPG eletrônico e de mesa e os dois nunca se confundem ou atrapalham, e conheço muita gente que tem a mesma atitude. O RPG de mesa acaba perdendo aqueles que de qualquer forma não se manteriam no hobby mesmo.

  6. Ótimo artigo, ótimo assunto para se discutir! Espero que, nas partes futuras, você fale um pouco dos elementos dos jogos eletrônicos que “invadiram” os jogos de RPG de mesa. Nem todas essas influências foram negativas.

    Aguardando ansiosamente,

    E.

  7. Acredito que MMORPGs tem tirado o público novo da mesa pois tem uma propaganda mais massiva do que o RPG de mesa. Nunca me distribuiram um CD de D&D na saída do colégio, Ragnarok já.

    Independente disso o MMORPG não é um concorrente, as pessoas podem (e deveriam) jogar ambos. Porém quem aqui ainda chega do trabalho as 17h? O mundo mudou, temos menos tempo e o MMORPG tem a infelz possibilidade de você poder jogar na hora que quer e desligar na hora que bem entender. RPG de mesa exige mais disciplina, mais tempo.

    Meus 2 cents.

  8. Bom texto.
    A crise do RPG realmente existe.
    Jogos on lines são mais práticos, descompromissados e atrativos para os mais jovens.
    A média de idade dos jogadores de mesa está aumentando.
    O Mercado não vai se renovar com a velocidade de antes e as editoras puxaram o freio.
    Sim, eles são concorrentes. Os livros estão perdendo a corrida.

  9. Como até foi levantado anteriormente, não vejo, ainda, uma espécie de substituição de eletrônico por um jogo de mesa.
    Acredito na força da interação física, sou do tempo antigo em que podemos tirar uma com os outros jogadores, desafiar pessoalmente o mestre, enfim…
    Para mim são duas formas de jogo, distintas. Cada qual com seu público, o RPG não está perdendo o seu público, acho que ele é que está se transformando e os jogos devem acompanhar isso.

  10. Bruno, eu discordo. Acho que o RPG está perdendo espaço sim para o eletrônico.
    São duas formas diferentes de jogo, mas o eletrônico tem a vantagem de se poder ter roleplay incluído, enquanto o RPG tradicional não consegue trazer para a mesa as facilidades e ‘belezas’ que o eletrônico tem.

    Cada vez mais a gente vê acontecendo o que os colegas disseram aqui nos comentários. Gente que deixa de jogar na mesa por que está numa plataforma online. É mais fácil de se reunir uma turma online, mais fácil de criar laços com pessoas diferentes, etc.

    Não acho que seja uma competição, mas acho que o tradicional está perdendo espaço para o eletrônico. Seja pela divulgação em massa dos MMOs, seja pelo trabalho de marketing das empresas responsáveis pelos jogos. O que vemos é o RPG se tornando um nicho cada vez mais apertado, com menso gente investindo nele, enquanto o eletrônico percorre o caminho contrário.

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