Tinta & Pena – Elmore

Confira a história de um dos responsáveis por definir o padrão de arte do D&D e de um dos seus mais populares cenários de campanha: Dragonlance!

Em 1981 o americano Larry Elmore foi contratado pela TSR, responsável pelo mais popular jogo de RPG da época (e até hoje) Dungeons & Dragons. A empresa tinha planos para investir em diferentes cenários de campanha, romances e quadrinhos ligados ao jogo. Para isso, resolveu apostar em ilustrações de qualidade, principalmente para divulgar seus produtos, o que ocasionalmente se provou uma jogada genial de marketing. Quem não conhece dezenas de jogadores, especialmente veteranos, que se interessaram por RPG inicialmente por causa dos desenhos? Nesse contexto, se encaixa o trabalho primoroso deste americano. Elmore foi um dos responsáveis por definir o padrão de arte do D&D e de um dos seus mais populares cenários de campanha: Dragonlance!

Vida & Obra

Elmore nasceu em 1948, em Louisville, Kentucky, Estados Unidos. Viveu sua infância em um condado, onde não tinha nenhum programa relacionado à arte. Aprendeu a desenhar sozinho, e fazia isso o dia inteiro! Inclusive, por desenhar durante as aulas, era considerado um péssimo aluno, se envolvendo em problemas constantemente! Mais tarde se formou pela universidade de Western, Kentucky. Logo após, foi convocado para o exército americano, trabalhando como ilustrador. Após deixar o serviço militar, trabalhou na mesma função para o governo americano por três anos. Passado este período virou freelancer, tendo seus trabalhos divulgados nas revistas National Lampoon e Heavy Metal. Foi durante seus primeiros anos como desenhista autônomo que ele conheceu Dungeons & Dragons, apresentado por um amigo. Pouco tempo depois, seria contratado pela empresa responsável pelo jogo, a TSR, e se juntaria ao competente time de ilustradores da companhia, como Clyde Caldwell, Keith Parkinson e Jeff Easley.

Com uma licenciatura em Belas Artes, causava estranheza aos colegas por não se adequar aos modos mais tradicionais de pintura. Era considerado louco por não gostar de arte abstrata, Elmore se considerava mais um ilustrador natural. Segundo ele mesmo afirmava “Eu queria desenhar algo, mas não sabia o quê”. Demorou a conquistar um estilo próprio, porém foi com seus estudos sobre história, que o rumo de sua arte começou a se configurar. A arte celta foi a maior influência recebida para definir o gênero que gostaria de seguir.

Dungeons & Dragons

Quando se analisa a importância do legado de Elmore para o RPG e romances de fantasia, é necessário situar temporalmente sua obra e o contexto em que foi criada. Ele fez parte do primeiríssimo time de aristas que trabalhou neste ramo, ligado aos jogos de interpretação. Hoje, temos um mercado forte e extremamente divulgado. Há um conhecimento bem maior sobre o RPG e sua ligação com a cultura pop, entretanto no inicio dos anos oitenta, isso era bem diferente. Quando o artista entrou na TSR, na época maior empresa de jogos de interpretação, Larry Elmore assumiu uma missão de grande importância: definir um padrão para os cenários de campanha e torná-los atrativos aos jogadores que viriam. Em seus primórdios, o mercado americano também recebeu com grande desconfiança este jogo tão diferente e inovador. Acusações de “demoníaco” ou “maligno” apareciam constantemente ligados a nomenclatura RPG. Porém, o jogo cresceu, e com ele todo um mercado que consagrou o trabalho dos artistas que definiram seu projeto visual. Foi o americano o ilustrador da caixa vermelha da primeira edição de Dungeons & Dragons. Incrível como a cena daquele guerreiro defronte a um dragão com uma espada erguida, seria para sempre sinônimo de nostalgia e tradição para milhares de jogadores mundo afora! A verdade é que as cenas pintadas por este ilustrador genial cumpriram de forma primorosa seu objetivo, apaixonar gerações seguidas de novos rpgístas. A arte de Elmore ganhou rapidamente notoriedade e atravessou fronteiras. Foram os ilustradores de diversas capas e artes internas dos produtos da TSR, principalmente Dragonlance (onde reinou soberano) e Forgotten Realms.

Dragonlance e Forgotten Realms

O RPG também foi responsável por um fenômeno que mudaria para sempre um gênero bastante especifico e popular de literatura: a fantasia. Obras como O Hobbit e O Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien são consideradas obras sagradas para qualquer rpgísta que se preze, e foram fundamentais para a construção do conceito de fantasia medieval, que fundamentou a construção de mundos como Toril e Krynn. Os jogos de interpretação, principalmente de fantasia que foram os primeiros que surgiram, foram essencialmente influenciados por obras literárias ligadas ao maravilhoso e mitológico. E esta relação se seguiu até o contrário acontecer. Quando os romances de Dragonlance surgiram, eles foram um divisor de águas para os jogos de interpretação. A partir desse momento o RPG contribuiu para a literatura e de forma primorosa! Havia chegado a hora de o jogo pagar o débito ao literário. A capa dos romances foram desenhadas, evidentemente, por Elmore que já era conhecido por seu trabalho primoroso na ilustração do cenário de campanha de Dragonlance. Seu traço marcaria para sempre esta ambientação. Sempre aparecendo em poses de batalha, o grupo da lança nunca foi melhor retratado do que pela pena deste americano.

Posteriormente também ilustrou a capa dos romances de Forgotten Realms, de R.A. Salvatore. Também marcou os primórdios deste cenário com belos desenhos que ficariam sempre na lembrança dos jogadores da velha guarda. Como afirmado mais acima, a artista participou do projeto de popularizar o RPG, principalmente Dungeons & Dragons, e suas capas e imagens destes universos de jogo sem dúvida ajudaram muito na disseminação do hobby.

Características

Sua arte é colorida (o que ajudava muito a destacar os livros) e bem detalhada. A influência da cultura celta aparece constantemente, em especial nas figuras de Dragonlance, onde as armaduras têm detalhes entrançados em dourado. A preferência por cores fortes como o vermelho e o verde, tornam suas ilustrações bastante características e marcam um estilo peculiar. Já em seus primórdios, Elmore procurava diferenciar sua forma de pintar de acordo com o trabalho abordado. Para verificar isso, basta observar a diferença entre as ilustrações de Dragonlance (coloridas, principalmente em tons de vermelho, verde e amarelo) e Forgotten Realms (mais sóbrias marcadas por azul, branco e marrom).

Larry Elmore sem dúvida marcou a história do RPG e para sempre será lembrado por sua arte primorosa que estabeleceu o padrão de qualidade de uma época! Para os rpgistas veteranos, ver as ilustrações deste americano significa relembrar seu primeiro contato com este jogo tão surpreendente e que tantos amigos e aventuras lhe proporcionaram! Para os novos e poder verificar como era nos primórdios do hobby, quando tudo era tão difícil e fascinante!!

Sérgio Magalhães

Abaixo mais ilustrações (galeria completa em www.larryelmore.com)

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