Resenha: Dragon Age RPG – Conjunto 1

Olá amigos RPGistas!

Estou de volta com nossa seção de resenhas, audaciosamente analisando mais um sistema de RPG. O escolhido dessa vez foi o Dragon Age RPG, recentemente lançado em português pela Jambô Editora.

A caixa do conjunto 1.

Dragon Age RPG é a versão pen and paper da premiada série de games eletrônicos de mesmo nome produzida pela BioWare. Escrito por Chris Pramas e lançado originalmente pela Green Ronin Publishing em formato de box, o jogo segue a nova estratégia de vendas no mercado norte-americano que objetiva a inserção de produtos de RPG em lojas de brinquedos. Uma excelente forma de atrair jogadores iniciantes e conquistar cada vez mais adeptos para nosso hobby! A caixa do primeiro conjunto inclui Guia do Jogador, Guia do Mestre, 3 dados de seis faces e um mapa-pôster do cenário de campanha. Em resumo, tudo que um grupo precisa para começar a jogar imediatamente!

Mas se engana quem pensa que Dragon Age RPG é apenas mais uma versão genérica de D&D, simplesmente por se tratar de um jogo de fantasia medieval. Na verdade, apesar das inevitáveis comparações na mecânica de jogo (classes e níveis) e na temática medieval (fantasia sombria, no caso de Dragon Age), as semelhanças param por aí. Podemos dizer que a simplicidade objetiva dos “livretos” de Dragon Age RPG é seu diferencial perante a complexidade enfadonha das “enciclopédias” do D&D.

Guia do Jogador

Esse livro é a pedra fundamental do primeiro conjunto de Dragon Age RPG. As regras básicas do jogo, as opções de personagens e sua evolução são apresentados nas 64 páginas do Guia do Jogador. De leitura bastante agradável e didática, a introdução do livro e seus 6 capítulos conseguem inserir de forma bastante satisfatória novatos ao nosso hobby, explicar o funcionamento do sistema de jogo e apresentar em linhas gerais o cenário de campanha.

Logo após a introdução, que explica o “bê-a-bá” do RPG aos iniciantes (o que pode ser repetitivo para jogadores experientes), o Guia do Jogador apresenta Thedas (na verdade apenas o reino de Ferelden), nossa ambientação em Dragon Age RPG. Apesar de não trazer uma visão aprofundada do cenário (algo que os detalhistas de plantão podem se queixar), o texto consegue passar informações vitais a respeito da história, geografia e sociedade do reino, material mais do que suficiente para situar o grupo de jogadores na atmosfera de Dragon Age RPG e ainda deixar um “gostinho de quero mais” para os próximos conjuntos da série.

O capítulo seguinte se dedica à criação de personagens, listando e detalhando os 8 passos do processo:

  1. Criação do conceito do personagem.
  2. Sorteio dos valores de habilidade.
  3. Escolha do histórico.
  4. Escolha da classe.
  5. Escolha do equipamento.
  6. Cálculo da Defesa e Velocidade.
  7. Escolha do nome.
  8. Elaboração dos objetivos e ligações do personagem.

Não existe nenhuma novidade no processo de criação de personagem nem na sua mecânica. Na verdade, aqui percebemos claramente a influência do estilo “raça e classe” de Dungeons & Dragons. Nada que desmereça Dragon Age RPG. Na verdade, considero um trunfo, haja visto que o público iniciante precisa de elementos e conceitos ao qual se apoiar ao sererm introduzidos ao RPG. Algo que me chamou atenção e também agradou foi a mecânica de sorteios das habilidades (3d6 para cada habilidade) e vantagens de cada histórico (2d6 duas vezes numa tabela). Isso me fez lembrar a época áurea do saudoso AD&D, com o qual comecei a jogar. Bons tempos!

O terceiro capítulo traz a lista de focos de habilidade e talentos disponíveis para os primeiros 5 níveis de classe, explicando cada um deles. Apesar do número baixo de opções, temos que lembrar que esse conjunto é apenas o primeiro passo dado em Dragon Age RPG. Mais três caixas estão por vir. Nesse ponto, também me lembrei da antiga relação existente entre o primeiro D&D (que também só levava os personagens até o nível 5) e seu “primo rico” AD&D (até o nível 20).

Pulando o capítulo seguinte, dedicado a equipamentos e armas, chegamos ao capítulo que descreve o funcionamento da magia em Dragon Age RPG. Aqui podemos esquecer totalmente D&D. Em vez de magias por dia, temos um sistema de pontos de mana, onde os personagens possuem uma “reserva mágica” que vai se exaurindo conforme os feitiços são conjurados (cada um com custo específico de PMs). Vale lembrar que a magia no cenário é um tanto quanto mal vista, pois pode levar os personagens à corrupção e possessão demoníaca. No entanto, o livro não traz nenhuma regra para isso, talvez devido ao baixo poder dos feitiços aqui apresentados. Vamos ver como o próximo conjunto irá tratar desse assunto.

O capítulo final do Guia do Jogador é dedicado às complicações e sistemas. Aqui são detalhados a estrutura de rodadas, testes, números-alvo, dano, pontos de saúde e façanhas. Por sinal, esse último elemento é, na minha opinião, o maior atrativo de Dragon Age RPG. Em cada teste, um dos 3d6 utilizados (que deve ser de cor diferente)  é chamado de “dado do dragão” e irá determinar o grau de sucesso obtido, potencializando as ações dos personagens. Em combate, isso quer dizer que a cada rodada o personagem adquire “pontos de façanha”, usados para desempenhar manobras especias, como desferir ataques extras ou causar dano adicional. Essa mecânica deixa a tensão sempre em alta, fazendo do combate algo imprevisível e divertido toda rodada, não apenas uma repetição de “eu ataco” até que os pontos de saúde sejam zerados.

Guia do Mestre

Este livro é uma verdadeira mão na roda para aqueles que desejam assumir o manto do mestre e conduzir os personagens de seus amigos por aventuras através de Ferelden. O Guia do Mestre traz todos os passos e dicas para mestres iniciantes, mas que podem ser aproveitadas também pelos mais experientes. Apesar, da minha “carreira” de 12 anos mestrando, curti muito as dicas e orientações do livro, pois, apesar da simplicidade, elas são bastante úteis e objetivas.

No capítulo inicial temos o que pode ser considerado uma oficina de mestres. Somos apresentados à arte de mestar de uma forma agradável e divertida, tendo sempre em vista aqueles jogadores que nunca antes conduziram uma partida de RPG. Dicas do que fazer e do que não não fazer, como construir aventuras, como identificar os estilos de cada jogador, etc. Tudo isso e algo mais está incluído nessa seção. E, como tudo no Guia do Jogador, bem explicado e exemplificado.

O capítulo seguinte é um tanto mais “técnico”, pois aborda regras e variantes  do sistema não apresentadas no Guia do Jogador. Apesar disso, não temos aqui uma dificuldade, pois o futuro mestre já deve ter lido antes o primeiro livro e se familiarizado com a mecânica de Dragon Age RPG. Este capítulo serve mais para o maior domínio das regras de jogo por parte do mestre. Apesar de necessário para uma maior riqueza no jogo, serve mais como consulta em caso de dúvida sobre uma regra ou situação inusitada in game.

Seguiando adiante, adentramos no bestiário do livro. Esse capítulo nos traz as criaturas que devem ser combatidas pelos aventureiros de Ferelden nos primeiros níveis. Temos aqui as fichas de inimigos mundanos (bandoleiros e bárbaros), animais monstruosos (aranhas gigantes e lobos flagelados) e criaturas sobrenaturais (crias das trevas e esqueletos). Apesar do pequeno número de antagonistas, os aventureiros devem passar por maus bocados até terem “moral” de enfrentar inimigos mais poderosos. Nos lembremos que estes são apenas aqueles voltados para personagenss até o 5º nível. Com certeza, teremos mais monstros nos próximos conjuntos, como o ogro – que ironicamente ilustra a capa do Guia do Mestre, mas não está incluso no bestiário.

O penúltimo capítulo do livro trata da evolução dos personagens e das recompensas que ele irão acumular ao longo da campanha, indo de tesouro à reputação. Finalizando o livro, temos uma aventura pronta para personagens de 1º nível, A Maldição dos Vales. A trama, joga os personagens em meio a um disputa entre furiosos aldeões fereldianos e arredios elfos valeanos. Apesar de simples, a história serve muito bem ao prpósito de introduzir um grupo de jogadores às aventuras de Dragon Age RPG.

Considerações Finais

No geral, considero que Dragon Age RPG é uma ótima escolha no atual mercado RPGista brasileiro. O primeiro atrativo é o preço (R$60,00), relativamente barato para uma caixa que já contém todo o material necessário para dar o ponta pé inicial. Seu material, apesar de simples, não é simplista, mas direto e didático, algo fundamental para jogadores iniciantes. Os mais experientes talvez reclamem ou achem que diante do poderoso D&D 4E não haja necessidade de mais um produto de fantasia, mas se esquecem que nem todos estão dispostos a encarar centenas de páginas e livros de alguns quilos para começar a jogar.

Encaro que o produto cumpre seu papel como “RPG de início”, mas acima de tudo, possui um charme especial que acaba atraindo aqueles mais “calejados” no hobby. Esse segundo exemplo é o meu caso, pois estou extremamente empolgado com Dragon Age RPG, como se fosse uma criança diante de um brinquedo novo. Algo nele me traz uma nostalgia, lembranças de um tempo old school que tanto é deixado pra trás hoje em dia, diante de tantos  combos e toneladas de regras, mas que ainda sobrevive nas mesas dos afortunados jogadores que o vivenciaram.

Enfim, amigos, esperem mais material de Dragon Age RPG por aqui. Em breve disponibilizar personagens (PJs e PDMs) e material suplementar, além do diário da campanha que estou iniciando com meu grupo. Se você quer mais Dragon Age RPG, clique AQUI e visite  a página da Jambô Editora. Lá encontrará material disponível para download, como personagens prontos, fichas resumidas para o mestre e uma ficha expandida para os jogadores. Aproveitem e até a próxima, com mais Dragon Age RPG!

Dmitri Gadelha

Aspirante a uma vaga nas fileiras dos Guardiões Cinzentos.

Esse post foi escrito ao som de Kamelot – March of Mephisto

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9 comentários sobre “Resenha: Dragon Age RPG – Conjunto 1

    1. É verdade, Nicholas. Eu até deixei isso passar na resenha porque não vejo como algo que, como você disse, estrague o conjunto. Apesar de algumas imagens terem ficado bastante escuras e pouco nítidas.

  1. Eu gostei muito do conjunto. Quando vi o an´puncio na Moonshadows não contei conversa comprei o meu. Estou fascinado com os livros (claro que me fascinei com o jogo tbm). O fato de estarem PB não prejudicou o material, na minha opinião, claro. O que eu achei ruim mesmo foi a tradução em 100% dos nomes próprios das cidades. Ficou ridículo a cidade de “Highever” ser chamada de “Cimassempre”, não gostei disso, sinceramente, mas é apenas um detalhe, o material em si é ótimo, estou contando as horas p/ começar a minha campanha.

    1. Eu até gosto de termos traduzidos, mas reconheço que certas coisas soam estranhas ao passarem de um idioma para outro. No entanto, não sei se ficaria legal uma parte traduzida e outra mantida no original. No final das contas, prefiro tudo traduzido mesmo. Apesar de “Cimassempre” ter ficado mesmo muito fraco…

  2. Acabei de comprar a caixa, muito bom seu artigo, principalmente para um iniciante como eu, já jogo NwN há 10 anos mas nunca joguei nada de mesa, vlw pela dicas das fichas tava procurando isso mesmo.

    1. Cara, realmente é muito gratificante ler esse tipo de comentário. Temos a sensação que estamos cumprindo bem nossa missão.

      Giuliano, é muito bom saber que meus artigos lhe ajudaram a escolher um RPG para começar e que, acima de tudo, estão lhe dando inspiração e material. Só o que tenho a fazer é agradecer imensamente seus comentários e dizer pra continuar acompanhando o blog.

      Grande abraço!

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