Narra-A-Ação: Perdendo a batalha para o eletrônico (2ª Parte)

Então senhores, como publicado no meu último post, o assunto rendeu algumas boas reflexões, como podemos ver aqui no post de Fnord (http://www.roleplayer.com.br/2011/01/rpgsmmorpgs/).  Os comentários deram um ótimo feedback da visão que cada um tem sobre o assunto, para tal darei continuidade e citarei quando possível esses feedbacks como dicurssão sobre o assunto.

Semana passada deixei algumas questões para um exercício acerca do RPG Tradicional em sua estrutura intrinsíca para que o comparativo tenha sua vazão.

Um pequeno passo mais ao fundo.

Existem outras formas muito mais complexas, verdadeiras competições, belas representações destinadas a um público.
– Homu Ludens, Johan Huizinga

Ao nos aproximarmos da tradução de Role-Playing Games (RPG) como jogos de interpretação de papéis fica fácil de obter pistas do que cerne o âmago dessa atividade. Porém para uma análise melhor que tal dividí-las?

Johan Huizinga
Johan Huizinga

Jogos (games) – De diversos lugares podemos obter inúmeras explicações, mas quase todas concordam que jogos são atividade que seguem certas REGRAS e geralmente com intuito de entreter. Poderia inclusive nos delongar na definição de tão fascinante que é esse campo de estudo, mas para fins práticos levemos em consideração o que Johan Huizinga adiciona com sua obra Homu Ludens: “uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana.”

Interpretaçãs de Papéis (role-playing) – O Ato de interpretar outras personalidades que não a sua. Não muito necessários as explicações que fala por si mesma, mas a nossa necessidade de exercer pápeis  não nossos nos faz sair um pouco do nosso próprio posicionamento quanto à vida e abrir os horizontes quanto as diferentes pespectivas de assuntos variados. Ou até mesmo se pôr em situações tidas como impossíveis para o paradigma que levamos em vida, nesse único papel desenvolvido ao decorrer da vida  que é a nossa personalidade.

Para tais definições isoladas a tendência nossa é o casamento – quase alquímico – destas substâncias; e no entanto fogem-se alguns detalhes sobre a obra per si do RPG como comentado parágrafos acima, como sendo um “jogo” de interpretação de papéis onde as regras são opcionais. Então dado o contraponto – quase um paradoxo – de que exista um jogo sem que haja regras vamos nos levar além para o ponto do RPG surgiu como uma extensão de um boardgame de Gary Gygax e Dave Anerson, e o próprio material que deu início a tudo não faz infusão como nos RPGs modernos da importância da interpretação. Isso é um maturação dos RPGs ao longo do tempo.

Para tal o RPG descumpre com alguns dos requisitos da definição, como nós humanos rebeldes por natureza (ainda bem, pois marca que somos criaturas com o gene da liberdade) adoramos subverter as próprias regras e deixamos até como opcional as regras aqui previamente previstas pelos autores dos livros do gênero e criadores de sistemas! Algo que conhecemos como Regra de Ouro. Mais à frente discutiremos isso.

Afim de evitar as divagações improdutivas de quais elementos foram o RPG me mantive dentro da semântica da sigla nos parágrafos acima discutidos. Muitos – apesar de parecer absurdo – imaginam ainda que jogo de RPG é somente o CAPA, ESPADA e MAGIA. Você concordaria com essa definição?

Estabelecendo algumas bases.

Com não haveria então análise sem que houvesse algumas bases estabelecidas, precisamos atacar algumas questões:

1) RPGs Eletrônicos, são ou não RPGs?

Se levarmos ao pé da letras as definições que temos nem JOGO os atuais RPGs se encaixariam. Mas como prometemos nos ater anteriormente a semântico da palavras, podemos dizer que o objetivo do RPG é interpretar um personagem, o que fica no campo da imaginação em tratando-se dos tradicionais de mesa, e no Eletrônico o é extendido ao AVATAR (o signo) que nada mais é que sua imaginação com uma parcela maior de materialização.

Entendam que a confusão sempre é provocado no obstante ao meio e o objeto em si. Ou nas melhores pesquisas: uma discussão (técnica) midiática (meio) não pode ser confundida com a questão (objeto) em si.

Ou seja, os meios empregados para exercer a atividade lúdica não é em si a sua classificação, afinal poderíamos jogar uma partida tradicional de RPG usando-se de videoconferência. Utilizaríamos dos mesmos símbolos “necessários” para uma partida dita como tradicional. Inclusive com  os dados tradicionais sendo arremessado e a ficha preenchida a distância. O fato de jogarmos usando de tecnologia o invalidaria como RPG?

E o mais estranho que parece surgir como um paradoxo hipócrita dos discursos inflados é o surgimento da “moda” de miniaturas – que nada realmente tem de novo, uma vez que miniaturas e jogos as utilizandos são de longa data conhecidos, menos popular claro, dos jogadores de RPG – em que procura-se uma maior exatidão e aproximação da representação de seus personagens e das leis imaginárias que co-habitação esse universo ficcional. O fato de usar aparatos (meios) diferentes dos tracionais invalidaria os jogos com miniaturas como sendo um RPG? Afinal de contas não foi assim que surgiu o jogo em si?

Então ao dizermos que RPGs eletrônicos não são RPGs é o mesmo que Gary Garx gritar lá no fundo que jogos como o Vampiro A Máscara, que foge do esteriotipo (e cria outros, claro), não é RPG pois foge dos seus tradicionais Capa + Espada + Magia e regras estratégicas menos flexíveis.

Então, se você consegue:
– Interpretar a voz de seu personagem através do teamspeak(r), skype(r), ou qualquer outro recurso de voip(voz sobre ip).
– Gesticular o seu avatar, inclusive mais flexíveis do que as miniaturas, para interpretar emoções.
– Ter os amigos em um mesmo grupo em um mundo imaginário.

Por quê o RPG eletrônico deixa de ser RPG, mesmo? Sua nostalgia? Ao que me parece, o RPG eletrônico nada mais é que um maturação e adaptação natural ao meio do nosso amado jogo.

2) RPGs eletrônicos e RPGs “tradicionais” são concorrentes.

Outro ponto que gera intermináveis discussões, pois misturamos dois prismas na questão: comercial e artístico. Em se tratando de arte, não existe competição, as manifestações dessa natureza – como AINDA sendo única da raça humana – não compete, mas soma-se, afinal a influência parece ser genética e os laços de cooperação mútua não sugere espaço para a signifcação da palavra competição – novamente isso é uma questão objeto e foi discutida no item anterior.

Mas em se tratando do campo comercial, aí sim! Temos que o RPG tradicional/eletrônico busca encontrar espaço em um mesmo nicho de consumidores e extendê-lo. Na simples lógica do capital mais lucro sempre é melhor. Por que como produtor do jogo eu não focaria em consumidores com valores, tendências estéticas (na forma de arte) e direcionamento sem ser investido?

Infelizmente não tive o tempo hábil de fazer a pesquisa de opinião, mas proponho que façamos o seguinte, pegue um local que comumente é usado para encontros de RPGistas e público semelhante e façam as seguintes perguntas:

– Quantos jogam RPGs eletrônicos?
– Quantos jogam RPGs tradicionais?
– Quantos jogam APENAS RPGs eletrônicos?
– Quantos jogam APENAS RPGs tradicionais?

Munidos desses números podemos fazer uma análise de mercado, usando inclusive como taxa de amostragem apenas lojas especializadas do ramo de RPG.

Bom, por enquanto deixarei essa segunda parte como sendo essas colocações e partiremos para o final na próxima semana com o então, elementos que aprendemos com o jogo eletrônico para utilizarmos nas mesas “tradicionais”.

Edward “Toy” Facundo

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