RPG e Literatura: A Batalha do Apocalipse

Pouco tempo atrás tivemos um post aqui no blog (Romances Nacionais de RPG) falando um pouco sobre o cânone nacional de livros inspirados em jogos de RPG. Analisando este aspecto relacionado aos jogos de interpretação, percebi que existem centenas de autores que, embora não tenham em suas obras referências diretas ao nosso tão querido hobby, possuem uma ligação intrínseca com o mesmo. Para exemplificar esta afirmação, basta clamar a maior de todas as obras de fantasia, O Senhor dos Anéis. Embora não seja inspirada em um cenário de RPG, ao contrário, a obra deu origem ao jogo como o conhecemos. O livro é leitura obrigatória para qualquer RPGista que se preze. Assim como as obras de Tolkien são referências diretas aos cenários de campanha, existem inúmeros autores de gêneros distintos que cultivam em suas obras, enredos intimamente ligados ao universo do RPG. A partir de hoje, traremos a vida e obra de escritores que, com certeza, qualquer jogador de RPG irá se identificar. Dentro desta proposta, analisaremos características dos livros (enredo, personagens, influências) e dos próprios escritores. Neste primeiro artigo do gênero, trazemos o livro A Batalha do Apocalipse, o maior fenômeno literário em fantasia do último ano no Brasil!

Da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo

A Batalha do Apocalipse, do carioca Eduardo Spohr, foi lançado de forma independente em 2007, após passar três anos sendo lapidado. Para quem ainda está por fora do histórico desta obra, ela figura desde o ano passado (2010) como um dos dez livros mais vendidos do Brasil. Legítimo representante do gênero fantástico, a obra é um verdadeiro fenômeno de popularidade entre os amantes da cultura pop.

Antes mesmo de falar um pouco mais sobre o livro e da história de sucesso galgado por ele, vale a pena conhecer mais sobre o escritor, que já desponta como uma das promessas de nossas letras em se tratando de fantasia. Eduardo Spohr é um jogador de RPG assumido, tendo como fonte de pesquisa em seu quarto uma prateleira lotada de livros do jogo! E este aspecto pode ser percebido claramente em sua construção narrativa. Influenciado por obras essencialmente relacionadas aos jogos de interpretação, como a trilogia de Dragonlance (da dupla Margaret Weis e Tracy Hickman). Desde criança, teve a oportunidade de viajar por diversas partes do mundo, adquirindo conhecimento sobre diferentes formas de cultura. A primeira experiência do autor em literatura foi o segundo lugar em um concurso de contos da PUC-Rio com um conto chamado O Último Anjo, que mais tarde se tornaria o livro aqui analisado. Amplamente conhecido como um dos participantes do Nerdcast, programa veiculado pelo premiado blog Jovem Nerd, Spohr rapidamente aliou sua amizade com os apresentadores/proprietários do portal, ao fato de estar divulgando de forma independente seu livro. A partir desta parceria o livro começou realmente sua trajetória de sucesso.

Eduardo Spohr

Isso mesmo, A Batalha do Apocalipse foi lançado de forma independente em 2007 e com uma tiragem bem pequena. Apostando na qualidade da obra, o blog relançou o livro, através do selo Nerdbooks (em 2009), com nova capa e tiragem bem maior. Divulgando a obra aproveitando o megasucesso do portal Jovem Nerd, o livro rapidamente caiu no gosto dos jovens, especialmente jogadores de RPG. O reconhecimento foi tão grande e representativo, que rendeu ao escritor um contrato com a Editora Record. Por esta empresa, representada como Verus Editora, a obra ganhou sua terceira edição (2010) e mais tarde uma edição de luxo Repleta de extras e desenhos). Deste ponto em diante a exposição somente vem crescendo, e cada vez mais o livro se torna um dos marcos da literatura fantástica brasileira. Eduardo Spohr, inclusive, já freqüenta constantemente programas de grande renome na televisão nacional e as maiores convenções literárias pelo Brasil!

O Exílio dos Anjos

Existe um levante no plano celestial. Um grupo de anjos renegados desafia o poder dos arcanjos que planejavam destruir a raça humana. Derrotados e banidos do paraíso, esses seres revoltos são condenados a vagar na terra, eles presenciam diversos momentos da história e vivem em grandes cidades através dos tempos. Até que finalmente chega o Apocalipse, onde Ablon, único anjo rebelde sobrevivente, é convidado por Lúcifer a lutar ao seu lado contra os arcanjos. Desde a antiga Babilônia ao Império Romano, o enredo viaja em uma estrutura não linear através da história da humanidade.

A Batalha do Apocalipse em RPG

Assim como qualquer livro que será analisado a partir de hoje pelo blog, A Batalha do Apocalipse já vale muito como leitura de imersão em um contexto fantástico. Bem escrito e com uma excelente dose de referências históricas, a obra, como absorção de conhecimento é altamente indicado. Devido à sua narrativa, o livro sem dúvida é altamente direcionado aos jogadores de Trevas, especialmente seu suplemento Anjos: A Cidade de Prata. Embora em essência os seres angelicais do livro sejam bem diferentes dos apresentados no RPG e em seu suplemento indicado, a narrativa é densa e demonstra em muitos pontos, os anjos como seres dotados de sentimentos e com aspirações próprias, expressadas por símbolos muito bem representados. Cada personagem tem sua essência bem delimitada, e influi no decorrer do enredo com coerência. Logo nas primeiras páginas, o sumo RPGístico aparece de maneira evidente. A estrutura básica não foge de referências mais antigas, como o filme Anjos Rebeldes, que serviu de inspiração ao escritor.

O Início da História Escrita

Finalizamos este primeiro post sobre as obras e escritores que influenciaram os jogos de RPG. Logicamente indicamos, tanto este, quanto todas as outras obras que citaremos daqui em diante. A Batalha do Apocalipse representa hoje, a obra mais atual em se tratando deste nuance em literatura. Por sua escrita e enredo envolventes, a obra continua sua escalada de sucesso e reconhecimento. Aguardem pelos futuros artigos e não esqueçam de conferir e/ou revisitar os livros clássicos, além de conhecer os novos. O RPG desde seu início teve uma ligação inevitável com o literário e cabe a nós fortalecermos ainda mais este aspecto benéfico ao jogo e aos próprios jogadores.

 Sérgio Magalhães

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