Tinta & Pena – Keith Parkinson

Voltamos com a sessão Tinta & Pena, desta vez trazendo outro ilustrador de grande renome na história do RPG mundial, nada menos que Keith Parkinson. Um dos artistas da fase clássica dos jogos de interpretação, que mais precisamente trabalharam na lendária TSR Inc. uma das primeiras empresas a produzir cenários e aventuras para RPG, especialmente Dungeons & Dragons. Assim como os artistas tratados até hoje nesta coluna, independente de seus estilos e gêneros (confira os posts antigos), Parkinson possui riqueza e traços de extrema competência e beleza. Sua arte é coerente e repleta de um sentimento de realidade. É como se os dragões que cortam os céus atacando as caravanas indefesas, fossem realmente parte de nosso mundo, transportado para um contexto medieval.

Vida & Obra

A ponte que provavelmente despertou o interesse do pequeno Keith para o universo nerd da fantasia pode ter sido sua grande admiração, quando criança, por naves espaciais. Seu quarto era repleto de posters e miniaturas dessas espaçonaves. Porém, durante sua juventude, Parkinson mergulhou de cabeça do universo do Rock and Roll. Seus anos de colégio foram repletos de projetos musicais, principalmente ligados ao Heavy Metal, com grande influência de lendas como Rush e Led Zeppelin. Foi neste período que o artista conheceu sua futura esposa, Mary, que mais tarde trabalhou como diretora na Revista Dragon.

Passada a adolescência, o gosto pela arte se mostrou predominante na vida do ilustrador. Se formou na Kendal College of Art and Design, em 1980, considerando Frank Frazetta e Roger Dean como suas principais influencias artísticas. Logo depois, conseguiu seu primeiro emprego na Advertising Posters, onde trabalhou em primeiro plano com o desenvolvimento de arte para jogos de vídeo game do arcade, como: Tron e Krull. Foi durante sua fase nesta empresa que conheceu o RPG. Um dos funcionários, era jogador e apresentou Dungeons e Dragons a Parkinson, foi amor à primeira vista! Seu primeiro personagem foi um ranger na aventura Keep of the Boarderlands. A partir de então passou a jogar religiosamente toda semana. Em 1982 conseguiu seu primeiro trabalho como freelancer para a TSR; compondo um time de gênios da ilustração, como por exemplo: Elmore, Jeff Easley e Tim Truman. Segundo o próprio artista, esta foi uma fase de grande desenvolvimento de sua arte, suas ilustrações passaram por um visível crescimento de qualidade e forma. Foi neste período que desenhou mais para produtos ligados ao RPG em si. Foram Capas de livros, arte para caixas de cenários de campanha, revistas especializadas no jogo e calendários promocionais. Neste período ele construiu um legado que focaria para sempre na mente de milhares de jogadores ao redor do mundo. Participou dos principais jogos da companhia: Forgotten Realms, Dragonlance e Gamma World.

Cinco anos depois, sua missão na TSR estava concluída. Foram centenas de trabalhos e a construção de um estilo primoroso e inesquecível. Aproveitando o grande renome conquistado nos anos de trabalho com RPG, partiu para o mercado de Nova York. Foi acolhido de braços abertos pelo mercado editorial da metrópole. Rapidamente era ilustrador das maiores editoras da cidade: Palladium Books, Random House, Bantam Books e Penguin Books. Sua arte serviu para adornar capas de autores de grandes best-sellers ligados a fantasia e a literatura fantástica. Nada menos que Terry Goodkind, Margaret Weis, Tracy Hickman e Terry Brooks, tiveram livros seus premiados com desenhos do americano.  Entretanto, foi em 1995 que começou a investir mais seriamente em seus próprios projetos. Sua primeira aposta foi um jogo chamado Guardians, onde trabalhou como designer e escritor. Lançou o mesmo pela FPG, empresa que mais tarde lançou o primeiro livro do artista, chamado Knightsbridge: The Art of Keith Parkinson. Posteriormente lançaria mais dois livros exclusivamente sobre suas ilustrações, foram: um sketchbook Spellbound e um artbook colorido chamado King´s Gate.

Novos Projetos

A partir do ano 2000 Keith Parkinson passou a se dedicar quase exclusivamente a indústria dos jogos eletrônicos/ games. Ilustrou jogos como Summoner e EverQuest. Sua arte víviva e extremamente bem feita foi aceita com entusiasmo pelo novo ramo que se fortalecia a cada dia, especialmente no enorme mercado americano. Pouco tempo depois foi premiado por melhor ilustração de produtos pela Cheasley Award, por seu trabalho em Shadows of Luclin. Entusiasmado com esta nova nuance a ser explorada, Parkinson co-fundou a Sigil Games OnLine. Sua principal criação foi o MMORPG Vanguard: Saga os Heroes, onde trabalhou até sua morte em 2005.

Legado

Keith Parkinson fez parte de uma geração que tanto inventou quanto fundamentou a arte conhecida como fantasia medieval. Acompanhado por companheiros que estariam para sempre ao seu lado como detentores do estilo clássico no RPG, trabalhou sempre em algo que amava e nunca teve medo de inovar e abrir sua mente para as novas tendências que surgiam. Prova disso foi seu investimento ao longo dos anos da indústria de games.  Marcou, sem dúvida, toda uma geração com suas paisagens fantásticas, permeando sonhos de milhares de admiradores dos jogos de interpretação que cresciam em passos rápidos no início dos anos 80! Seu legado, em arte estática e interativa ajudou muito a formar conceitos e nivelar, muito por cima, o nível das ilustrações relacionadas ao RPG! Se você não conhece o trabalho deste gênio da arte, aproveite a facilidade do mundo atual e procure os desenhos sensacionais desta artista, duvido que não viaje imediatamente para um universo de fantasia e aventuras!!

 Confira abaixo algumas artes de Parkinson.

 Sérgio Magalhães

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3 comentários sobre “Tinta & Pena – Keith Parkinson

  1. Poxa, o cara é fera! Meus desenhos em comparação fazem dó. Pena que o mais próximo que posso chegar dele é sofrer do mal de parkinson. (piada infame, eu sei!)

    Fazia tempo que não via o tinta e pena. É uma das minhas seções favoritas.

  2. Valeu Helton!

    Se a sua frustração é grande imagine a minha que morro de vontade e não sei desenhar absolutamente nada!! rsrs

    A coluna Tinta & Pena é fruto justamente desta minha falta de habilidade em desenhar, por isso resolvi homenager os grandes artistas que tanto contribuiram para formar em nossa imaginação as imagens fantásticas descritas nos jogos de RPG.

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