Elementar, meu caro Watson: RPGs de mistério e investigação

“Elementar, meu caro Watson!”

– Sherlock Holmes

Quem não gosta de um bom mistério policial? O cinema e a literatura estão repletos de grandes obras do gênero. Escritores como Edgar Allan Poe e Sir Arthur Conan Doyle são verdadeiras lendas e seus livros são best sellers consagrados em vários países.

Para se ter uma idéia do sucesso do gênero basta observar a obra da Rainha do Crime: Agatha Christie (1890 – 1976). Esta senhora de aspecto bondoso e inocente é a maior mente criminosa do planeta. Escreveu mais de oitenta livros policiais e vendeu mais de 4 bilhões de exemplares no mundo todo (só perde pra Bíblia e para as obras de Shakespeare), seus personagens – Hercule Poirot e Miss Marple – são estereótipos consagrados em casos policiais. No entanto, o “pai” dos livros de gênero policial é um velho conhecido dos RPGistas: Edgar Allan Poe – sim senhor, ele mesmo! Mais famoso por suas obras de terror e suspense, Poe é o criador do detetive Auguste Dupin, que muitos consideram, devido sua grande inteligência e poder de dedução, o precursor do próprio Sherlock Holmes.

E, aliás, como não citar ele: o Grande Detetive, o ilustre morador da 221B Baker Street. Se não conhece Sherlock, ou você é um E.T. ou tem sérios problemas de dislexia. Imortalizado na mente de milhões de pessoas, Sherlock Holmes é o rei dos detetives e o melhor deles (contar o Batman não vale). Holmes e seu fiel escudeiro, o Dr. Watson, são protagonistas em 60 livros (entre contos e romances) escritos por Doyle e em incontáveis outras obras, entre elas O Xangô de Baker Street, de Jô Soares – que nos dá uma versão única do personagem, única e divertida, vale muito a pena ler. Além de uma espetacular produção para o cinema: Sherlock Holmes, protagonizado por Robert Downey Jr. (Sherlock) e Jude Law (Watson). Nesse filme, a capacidade de dedução de Holmes é explorada de forma nunca vista: para determinar pontos fracos e atingir com precisão pontos vitais num combate. Quanta apelação, hein?! Agora todo jogador meu pergunta se pode fazer o mesmo…

Além desses gênios do Século XIX temos grandes detetives contemporâneos, sendo, talvez, o mais famoso deles o Professor Robert Langdon, criado pelo escritor norte-americano Dan Brown, autor de O Código Da Vinci e Anjos e Demônios. O quê? Você é o único cara no mundo que ainda não leu? Embora não seja propriamente um detetive Robert ficou famoso por seu invejável intelecto e conhecimento em simbologia que o ajudaram a resolver os casos mais curiosos. Além dele temos: Fox Mulder e Dana Scully (Arquivos X), toda a equipe de CSI e Cold Case, Clarice Starling (Silêncio dos Inocentes) e os espetaculares William Somerset e David Mills (Se7en – sabia que Kevin Spacey pediu para que o seu nome não aparecesse nos créditos iniciais, para que sua aparição no filme fosse uma surpresa total e que nenhum material publicitário do filme o contém, comigo funcionou). E não podemos esquecer os “oitentões”: Theo Kojak (Kojak – até hoje é difícil encontrar alguém que não tenha ouvido falar desse careca); Maddie e David Addison (A Gata e o Rato, lembra?!); Kate Mahoney (A Dama de Ouro – minha nossa!) e Thomas Magnum (Magnum, esse cara tinha muito estilo: blusa florida, calça branca, óculos “Ray Ban” gigante, mulheres e cerveja, muita cerveja).

É, camaradas, a lista é gigante e fantástica! Mas e no RPG, o que temos? Bem, livros oficiais são poucos, mas o gênero; esse já é bem presente. Aventuras de Trevas e Arkanum (principalmente as antológicas primeiras versões) exigem muita investigação e poder de dedução. Vampiros e caçadores também podem usar e abusar das habilidades de detetive (ou você nunca assistiu um episódio de Supernatural?). Além do mais, me diga qual personagem não tem na sua ficha pelo menos uma das seguintes perícias: Procurar, Escutar, Furtividade, Pesquisa ou Notar. Pois é, “de detetive e louco todo personagem de RPG tem um pouco”.

Na parte de livros temos o excelente GURPS3th Cops (cara, tem um GURPS pra tudo!), que descreve impressionantemente a rotina e as práticas policiais norte-americanas, incluindo os detetives, podem ser úteis, por abordarem o tema, o ConspiracyX e o Illuminati. Porém todos esses, além de esgotados estão em inglês, infelizmente. Para o GURPS4th temos o Mysteries que trata exatamente do tema que estamos abordando. Nele temos dicas excelentes sobre como construir cenas, assassinos, provas, vítimas e toda bugiganga necessária a um bom thriller de mistério e suspense, realmente é um livro excelente para os fãs do gênero. Pode ser adquirido em versão .pdf através do site da Warehouse23 por $19,95.

Pronto para ser um grande detetive?

Em português (o que é uma grande vantagem) ainda podemos encontrar o maravilhoso Rastro de Cthullu. Apesar de tratar de casos sobrenaturais que envolvem o mito “lovecraftiano” esse RPG é clima de mistério puro, recomendamos fortemente. No Brasil ele é publicado pela Retropunk Game Design que está prometendo um excelente suporte ao cenário. Com capa dura e miolo coloridos com papel e acabamento de qualidade o exemplar de 248 páginas pode ser adquiro no site da Retropunk por R$ 70,00 (com frete grátis, uma pechincha na minha modesta opinião) ou ainda a versão .pdf por R$ 19,90. Sem falar que o jogo tem dois ENnies.

Bom, mas pra manter meu título de paladino dos sistemas mortos e desconhecidos trago pra vocês mais um presentão: El Club de Los Martes – El Gran Juego Narrativo. Esse jogo espanhol foi escrito por José Carlos de Diego Guerrero e está sob a licença da Creative Commons 3.0 Atribución-NoComercial-CompartirIgual 3.0 España (CC BY-NC-SA 3.0). Neste jogo não há ação ou combate. Cinco jogadores, interpretando detetives, comissários, escritores ou outras personalidades ligadas ao estudo do crime, reúnem-se para ouvir do Anfitrião (o Narrador) um caso policial. A partir daí os jogadores são desafiados a, dentro de 1 hora, solucionarem o crime a partir do relato inicial do anfitrião.

Partindo dessa premissa básica os jogadores precisam seguir certas regras (muito simples no geral) para fazer perguntas e deduções que levem à solução do enigma proposto pelo Anfitrião. No decurso de 1 hora eles precisam ter as respostas às seguintes perguntas: O quê? (qual é o caso em questão – essa pergunta geralmente é respondida logo de cara pelo próprio Anfitrião); Como? (que significa dizer como o assassinato ou outro crime qualquer foi cometido); Porquê? (nem precisa explicar né?); Onde e Quando? (geralmente essa também é dada de mão beijada pelo Anfitrião, quando explica o caso) e, finalmente, Quem? (ou seja, quem é o culpado).

Pode acreditar, El Club de Los Martes é diversão garantida. Recomendo fortemente. Boa sorte detetive!

Imiril Pegrande

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6 comentários sobre “Elementar, meu caro Watson: RPGs de mistério e investigação

  1. Kate Mahoney? A gata e o rato? Cara, você é velho! hehehe

    Acho legal um jogo com esse clima vitoriano gótico. Principalmente aqueles cenários urbanos europeus com seus canais enegrecidos e sua névoa sufocando os becos à noite. Nada de fantasia, nada de maquinário fantástico. Apenas você e e sua mente brilhante para solucionar os caso.

    Misturar esse “feeling” com vilões ao estilo Jack the ripper deixa as coisas mais legais.

    E achei uma boa sugestão usar o GURPS 3rd (ou 4th ou 1st ou 2nd, tanto faz), pois é um sistema que deixaria o clima mais real, menos fantástico. Talvez um Castelo Falkenstein adaptado também não fosse interessante?

  2. Mais uma vez um post super original e de enorme relevância para o chamado meta-RPG. Parabéns mesmo Alan, vem ajudando bastante as visões de jogos e estilos diferenciados que vem indicando.

    1. É um prazer poder contribuir com um trabalho tão primoroso quanto El Club de Los Martes. Brevemente espero ter oportunidade de jogar mais algumas partidas.

      Abraços.

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