Aventuras-solo: Do Gamebook ao Choicescript

Senhores, quem aí ainda lembra das aventuras-solo e não sente uma vontade imensa de retornar àqueles tempos solitários de narrações com desfechos interativos e enigmas de aventuras baseadas em texto? Foi o mesmo sentimento quando iniciei a leitura de The Nightmare Maze (“O Labirinto do Pesadelo”) da Choice of Games.

Gamebook

City of Thieves: um dos pioneiros gamebooks!

Geralmente consistem de descrições e no rodapé: múltiplas escolhas, dependendo do “sistema” narratológico empregado pela editoras, as múltiplas escolhas ainda podem ser acompanhadas de um algumas estatísticas como PVs (pontos de vida) do personagem e outros dados dinâmicos que são anotados em um papel em separado ou no próprio livro, imergindo assim em uma narrativa mais participativa por parte do leitor.

Algumas editoras na década de 70 investiram pesado no setor e muitas séries de sucesso foram lançadas com público-alvo entre crianças a partir de dez anos e adolescentes, atingindo o seu ápice popular lá fora na década de 80 e por algumas pitadas aqui no Brasil na década seguinte como Aventuras-Solo. O curioso é que as ideias originárias transpõem-se por Jorge Luis Borges, um escritor argentino – o qual o Vila do RPG indica com voracidade – em seu livro Examen de La Obra de Herbert Quain (“Exame da Obra de Herbert Quain”) e ainda passando pelo behaviourista B. F. Skinner com seus livros de autoensino para estudantes e então atingindo o cume com as obras de Steve Jackson e Ian Livingstone.

Era da Tecnologia, não obstante também há ainda o uso da tecnologia abordando a narração de formas diferentes, um outro recurso midiático mas com mesmos objetivos, já abordado inclusive em outros posts, como os antigos MUDs (Multi-User Dungeons), nas decádas de 60, 70 e 80, sendo os precursores dos RPGs eletrônicos, onde há descrições e múltiplas escolhas recebidas via respostas do jogador em modo texto. De lá para cá é óbvio que tudo foi sendo aprimorado, tanta a narrativa em si com temas variando do “capa espada” para investigações, horror, suspense, ficção cientifica e tantos outros.

Choicescript

E saltando um pouco a outras ferramentas desenvolvidas eis que vim apresentar especificamente a ferramenta ChoiceScript, aproveintando-se do bom momento que os tablets e smartphones estão ficando cada vez mais populares por aqui também. ChoiceScript é uma ferramenta desenvolvida, em constante atualização, pela Choice of Games fundada por Dan Fabulish e Adam Strong-Morse no ano de 2009, seguindo a premissa de desenvolver romances interativos baseados em texto para plataformas móveis e web. Consiste em um conjunto de scripts e textos com uma marcação específica (estilo HTML) que cria a interatividade com ações que leitor poderá tomar, exemplo:

“A matilha o cerca rapidamente, e a clareira parece não ser um local adequado para um batalha com tamanho numero de lobos. Mas você não está disposto a perder a criança em seus braços. O que você fará?

*Choice:

#Tentar fugir por dentre as árvores.

#Deitar a criança ao chão, protegida e tomar guarda de luta.

*Choice:

#Empunhar sua espada.

#Empunhar a besta.

#Entregar a criança aos lobos e desistir da aventura?

Choice of The Vampire, da Choice of Games.

Assim como outros recursos técnicos avançados, mas de simples entendimento. Toda a documentação pode ser encontrada no site http://www.choiceofgames.com/blog/choicescript-intro/. O primeiros jogos foram Choice of the Dragon (“A Escolha do Dragão” em tradução livre)  e Choice of Broadsides (“Escolha da Borda” em tradução livre) mas hoje contam, entre produções próprias e contribuição de usuários, as seguintes aventuras:

  • Choice of The Vampire
  • Choice of Ramance
  • Choice of Broadsides
  • Choice of Dragons
  • Marine Raider
  • Land of Three Classes
  • Imprisoned
  • Paranoia
  • What Happended Last Night?
  • The Nightmare Maze
  • Popcorn, Soda… Murder?

Todos podem encontrados livremente para serem jogados gratuitamente em http://www.choiceofgames.com/. Outro detalhe importantissímo é que as aventuras estão disponíveis para a família iOS (iPod,iPad e iPhones) assim como para a plataforma Android.

Choice of Vila? Já imaginaram as inúmeras oportunidades de aventuras? Que tal dar uma lida no nosso post Elementar, meu caro Watson: RPGs de mistério e investigação, do Imiril, por pura inspiração? Ou que tal ir mais além e nos render à parceria com o game studio aqui de Fortaleza, o Rogue Fairy Studios, e desenvolver nossa própria aventura? O que acham? Interessou? Envie sua proposta de tema para solo@viladorpg.com.br que entraremos em contato para desenvolvermos a ideia, ok?

Edward “Toy” Facundo

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7 comentários sobre “Aventuras-solo: Do Gamebook ao Choicescript

  1. Bela iniciativa, Júnior. Tenho no pc a coletânea completa do Steve Jackson e Ian Livingstone, que foram os primeiros desse estilo aventura-solo em termos deliberadamente rpgísticos (não sabia que em outras áreas já haviam feito coisa parecida – Skinner?!). São aventuras boas e valem a pena para passar o tempo com qualidade.

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