Escavadores: Adaptação Multi-sistema (Daemon, GURPS e M&M)

“Só o que podemos fazer é garantir… que os índios nunca mais façam algo assim de novo.”

– Henry Victor (The Burrowers)

Salve amantes do RPG e coisas nerds! Esses dias dei de cara com um filme singular: Escavadores (The Burrowers, 2008), dirigido por J.T. Petty, sujeito do qual eu nunca tinha ouvido falar, mas que é responsável pelo excelente game Tom Clancy’s Splinter Cell. A película também é protagonizada por um bando de atores pouco conhecidos da grande massa, mas que fazem um trabalho suficientemente decente pra um western – e se você não sabe que palavra de gringo é essa, fica sabendo, a partir de agora, que é a mesma coisa que “faroeste”.

O filme foi bem elogiado (até pelos críticos especializados, imaginem só) por retratar com fidelidade o período histórico em que ocorre e mostrar muito bem qual o tratamento dispensado pelo “caras-pálidas” aos nativos indígenas: brutal, desumano e covarde, com certa reciprocidade por parte dos peles-vermelhas… Os sites especializados em filmes de horror são especialmente bondosos com o filme e, entre esses, ele alcança pontuação perto de 10.

Escavadores é um western de horror e suspense que envolve o desaparecimento de uma família de colonos. A crônica se passa nos territórios Dakota em 1879. Na época vários índios já haviam sido “domesticados” e a Guerra Civil Americana já havia chegado ao fim há vários anos (1865), mas ainda havia muitas tribos nativas hostis e bastante perigosas. Nesse plano de fundo quando a família Stewart desaparece e os Williams são encontrados mortos, as suspeitas logo caem sobre os índios. Um grupo de busca é formado para encontrar os desaparecidos e vingar os mortos com auxílio de um grupo de soldados da União, chefiados por um imbecil desmiolado chamado Henry Victor. Acredite: até o final do filme você vai odiar esse cara com todas as suas forças. Os cabeças do grupo são dois cowboys de fama reconhecida nesse tipo de missão: Jonh Clay (um coroa com jeitão de Jonh Wayne) e William Parcher (um sujeito com cara de patife, mas que realmente entende das coisas), ambos foram combatentes na Guerra Civil e na luta contra os nativos e atualmente estavam aposentados.

O ponto alto do filme, além do suspense, são as bem boladas criaturas que assolam os protagonistas. Chamados de burrowers (escavadores na tradução) essas criaturas de corpo mole, delgado, disforme e pegajoso habitam a região de Dakota desde antes até mesmo dos índios. As criaturas, segundo narrado no filme, aparecem a cada três gerações (cerca de 75 anos). Antes eles caçavam búfalos, mas com a vertiginosa redução das manadas – provocada pela caça desenfreada cometida pelo homem branco –  os burrowers tiveram de se adaptar a outro tipo de alimento: carne humana (afinal esse é um filme de horror, certo?). É parceiro, você nunca ouviu falar de equilíbrio ecológico? Inicialmente os escavadores atacaram as tribos indígenas e chegaram a devastar várias delas. Depois passaram a atacar as cidades colonas. Uma tribo em especial, os Utes, aprenderam uma técnica efetiva para caçar e destruir as criaturas, o problema era que o Utes eram tão odiados e temidos pelas outras tribos quanto os caras-pálidas, até porque eram tão perigosos e traiçoeiros quanto esses.

Os cowboys em sua caçada pelos escavadores.

As Criaturas

Os burrowers são fortes, furtivos e impressionantemente resistentes a danos físicos. Tiros, estocadas, cortes e outras punições são praticamente ignoradas pelas criaturas. Acostumadas a atacar em bando, senhoras de um olfato surpreendente e de perfeita visão noturna qualquer grupo de cowboys que dê de cara com esses bichos no meio do nada pode mandar encomendar os paletós de madeira, aliás, não vão nem precisar já que provavelmente serão enterrados vivos. Os escavadores atacam em grupos com seis a oito bichos e preferem as vítimas indefesas ou que estejam em clara desvantagem, pois possuem moral muito baixo e fogem com certa facilidade se encontrarem forte resistência ou se conseguirem pelo menos uma presa com a qual possam se satisfazer.

Quando golpeiam, suas garras injetam uma droga que provoca dormência e paralisia parcial em poucas horas, começando pelo local da ferida e pelas extremidades do corpo. O veneno também causa uma poderosa reação orgânica que faz o corpo inteiro gangrenar e apodrecer dentro de quatro ou cinco dias. Na aparência é algo semelhante à lepra: a pele começar a perder a cor e em seguida surgem terríveis eczemas e chagas pútridas. Se tiver tempo após um ataque bem sucedido o escavador vai cuspir no ferimento uma baba pegajosa que lembra clara de ovos. Se conseguir isso os efeitos do veneno serão terrivelmente mais rápidos e brutais: em um segundo a vítima perderá toda capacidade motora e ficará totalmente paralisada o apodrecimento do organismo se dará em, no máximo, dois ou três dias. Os escavadores fazem isso para que possam enterrar suas vítimas e voltar dois ou três dias depois para refestelar-se com o sangue espesso e das carnes moles e apodrecidas. Vale lembrar, e isso é muito importante, que as vítimas são enterradas vivas e o veneno as impede de dormir, de modo que elas ficam conscientes e podem ver e ouvir tudo à sua volta, outro fato é que os burrowers gostam da sua comida ainda quente e certamente vão voltar para eviscerar e devorar sua presa quando ela ainda estiver bem viva e consciente disso. Muito divertido não é? Aliás, matar qualquer vítima de um escavador faz com que eles desistam imediatamente de devorá-la abandonando o corpo para os abutres.

Essas criaturas quadrúpedes usam suas patas dianteiras para golpear e possuem uma garra afiada e proeminente. Abaixo do torso possuem quatro membros curtos com mãos que lhe conferem limitada capacidade para manusear e agarrar. Além disso, os escavadores podem literalmente farejar alguém infectado pelo veneno deles a milhas de distância e caçarão o infeliz sem trégua até que ele morra ou que eles o devorem. São também escavadores incríveis e podem abrir um buraco para se enterrarem em poucos minutos. A profundidade dessas tocas (daí o nome burrow) e o fato dos bichos fecharem a entrada com terra depois que entram torna praticamente impossível caçá-los durante o dia. As bestas passam o dia inteiro escondidas sob o solo, provavelmente dormindo, e saem à noite para caçar ou se alimentar. A luz do sol parece ser a única fraqueza real dessas criaturas. Se expostas à luz natural do astro rei seus corpos entram imediatamente em decomposição, como se expostos a algum tipo de ácido, e morrem em poucos segundos.

Para caçar e destruir esses terríveis monstros os índios Ute criaram um tipo de bebida que uma vez ingerida por uma vítima dos escavadores torna a carne desta venenosa. Quando os escavadores se alimentarem do moribundo ficarão letárgicos, sonolentos e muito enfraquecidos. Os Utes aproveitavam esse momento de fraqueza dos bichos para prendê-los em armadilhas de urso ou cravá-los no chão com lanças ou estacas, depois bastava esperar o sol nascer e calmamente aguardar que os raios mortais eliminassem as feras. O segredo desse veneno é guardado e sete chaves pelos Utes. Para eles caçar os burrowers é um dever sagrado e também prova de grande valentia e poder. Eles costumam guardar troféus das suas presas e expor com orgulho e prazer quantos burrowers já morreram na ponta de suas lanças.

Corpos frescos: a dieta preferida dos escavadores...

No RPG

Apesar de criados para o gênero western os burrowers podem ser facilmente inseridos em qualquer cenário. Acompanhe a seguir algumas dicas de como usá-los em diferentes tipos de aventuras/campanhas.

Horror – Esse é o tema clássico para o qual os escavadores foram criados. Porém o narrador pode explorar outros elementos presentes nas várias nuances e estilos de horror. Por exemplo, é fácil ajustar os burrowers para uma aventura de horror sci-fi no melhor estilo de Aliens e/ou Predador. Eu mesmo vou experimentar inserir os escavadores num cenário semelhante ao de Pandorum ou de Aliens. Em cenários como Anjos, Demônios e Trevas os burrowers podem ser criaturas a serviço de magos poderosos ou entidades naturais de planos inferiores. Um mago astuto poderia muito bem encontrar boa utilidade para essas bestas se conseguisse controlá-las.

Mistério – Nesse tipo de cenário os burrowers provavelmente nem serão enfrentados pelos detetives. Aqui o clima pode muito bem ser o de um Arquivos X ou Invasão com essas criaturas assolando os esgotos de uma cidade grande como São Paulo ou New York em pleno século XXI. Temas como o visto em Drácula de Bram Stoker também são simples de serem evocados com um caçador fanático à procura de eliminar essas feras. Em suma: troque os vampiros por escavadores e o resultado será excelente.

Ação/Aventura – Nesse estilo de jogo os bichos podem ser enfrentados por supers ou aventureiros num cenário de fantasia fantástica. Nesse contexto os burrowers não seriam tão perigosos, afinal tem muito aventureiro por aí capaz de dar de tapa na cara dos coitados. Caso precise nivelar o nível de poder para seus heróis basta aumentar a quantidade de escavadores no grupo. Dessa forma eles podem ser bem aproveitados como capangas numa aventura de M&M. Por outro lado, para aventureiros de nível mais baixo livrar uma vila de um ataque de burrowers pode ser um desafio tremendo.

Bom, é isso aí camarada! Clique em AQUI para baixar as fichas desses horrores noturnos para Daemon, GURPS e M&M. Até mais!

Imiril Pegrande

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3 comentários sobre “Escavadores: Adaptação Multi-sistema (Daemon, GURPS e M&M)

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