Melodias da Banshee: American McGee’s Alice Soundtrack

“Doctor: What’s wrong, Alice?

Alice: My parents are gone.

Doctor: What else is wrong, Alice?

Alice: Something’s… broken.

Doctor: What’s broken, Alice?

Alice: I am!”

Já faz onze anos desde o lançamento do jogo eletrônico da Eletronic Arts “American McGee’s Alice”, do então veterano de mercado American McGee – o então game designer -, com larga experiência em diversos campos de atuação, desde a programação passando ainda pelo level designer em empresas como a Id Software e a própria Eletronic Arts. Mas até aí, ok. Temos um nome de peso produzindo um tal de “Alice”, mas o que diabos então tem haver isso com trilha sonora? Pois bem, esse cidadão de nome bizarro dono de uma mente ainda mais bizarra, criou um universo gótico a partir dos personagens da popular obra “Alice No País das Maravilhas”, do escritor Lewis Carrol e chamou um profissional de carreira um tanto quanto familiar a essa atmosfera para compôr a trilha sonora: Chris Vrenna.

Chris Vrenna é um compositor/engenheiro de som/produtor estadunindense nascido em Erie, Pennsylvania, na data de 23 de fevereiro de 1967, fundador da banda eletrônica Tweaker mas que ficou realmente conhecido pelo trabalho como baterias da banda Nine Inch Nails no período dos anos de 1989 à 1997 e atualmente, para fechar o CV para o bizarro, é baterista da banda Marilyn Manson –  além, é claro, de suas outras habilidades como produtor e engenheiro de som serem aplicadas em álbuns de bandas como Greenday, Metallica, Megadeath entre outros. Vrenna, que flertou durante anos com um universo obscuro e ícones fortes do mundo gótico, durante sua estadia no Nine Inch Nails, já se sentia familiar em aplicá-los à musica em sua forma particular, como podemos observar em trabalhos como Perfect Drug – quem não lembra dos Vazios, das Filhas da Cacofonia ou até mesmo os Eutanatos assistindo esse clipe?

A premissa passada à Vrenna por Mcgee foi de uma trilha sonora incomum, estranha e exótica, mas que não soasse tão longe do moderno. Vrenna, por sua vez, acostumado aos samples e batidas eletrônicas – vide o exemplo do clipe acima citado – assegurou logo esse link na modernidade com alguns efeitos incomuns na música, efeitos estes que por vezes soam familiares em seu sentido, mas bizarro ao tentarmos mapear sua origem ou associar a um objeto em comum. E seguindo o instinto artístico multimeio não poderia deixar de se aventurar em um laboratório de inspiração e pesquisa de material para composição, chegando a utilizar diversos instrumentos de brinquedos e outros tantos outros artigos próprios dessa fase tênue de nossas vidas ou aqueles carregados do simbolismo da mesma, como por exemplo caixinhas musicais. Nessa panela ele cozinhou o que temos por trilha sonora de “American Mcgee’s Alice”.

Elementos infantis, horror e insanidade...

Uma característica positiva existente nesta trilha criada por Vrenna é a orientação cronológica nas faixas. Ainda que fechemos os olhos para as imagens manifestadas por vídeos, fotos, ideogramas tridimensionais , encontraremos na trilha sonora toda uma sequência própria nos provendo da história necessária – podemos citar por exemplo Falling Down The Rabbit Hole (faixa 1), que através dos efeitos iniciais e sibilantes nos direciona a um vertigionoso mergulho na insanidade de Alice. Urgência e a ânsia, Vrenna conseguiu evocar através de escalas em ascensão de alguns sons peculiares vistos em nervosas passagens de Fire And Brimstone (faixa 4).  A contraposição dos compassos estão empregados, diversos tic-tacs” advindos de relógios de corda e pêndulos que só rivalizam em inquietação com as inserções da dublagem maestral com diversos personagens extendendo aquela gargalhada aguda e demente que ecoa enquanto você se recupera do primeiro faixo. Até mesmo uma introdução do que há por vir como um complemento bem vindo,  Skool Daze (faixa 7), como exemplo do segundo caso. Quando a trilha já por si cumpre o seu papel nos loops necessários a uma estrutura própria de OST, o compositor ainda inclui algumas faixas que um pouco se assemelham a baladinhas no naipe de artistas como Kerli, a exemplo disso temos a Time To Die ( faixa 8 ).

Bem, senhores, esta trilha sonora está entre as obrigatórias para quem deseja aventurar-se por títulos que misturam em âmago elementos infatis, horror e insanidade. Aproveitem também para utilizar-se do fator aleatório e ambientar os personagens jogadores durante o parto que quebra o silêncio das faixas.

Bons sonhos, Alice.

Edward “Toy” Facundo

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