Fighting Fantasy (parte 2): A história dos livros-jogo

Estamos de volta com a série de posts – iniciada há algus dias com Fighting Fantasy (parte 1): Conhecendo a linha de livros-jogo – dedicados ao universo dos renomados gamebooks da linha Fighting Fantasy, as famosas aventuras-solo. No post de hoje, em mais uma tradução direta do site da FF, vamos conhecer a história da Fighting Fantasy, desde seu surgimento, no início da década de 80, até os dias de hoje. Diga-se de passagem, se engana quem pensa que as aventuras-solo são coisa do passado. Elas estão bastante presentes no mercado, tanto gringo quanto brasileiro. Há pouco mais de uma semana, inclusive, a Jambô lançou Floresta da Destruição, oitavo título traduzido da linha Fighting Fantasy.

Então vamos lá, para a segunda parte desta série de traduções:

Bem vindos à área de história, aventureiros.

Humildes saudações à nossa área de história da Fighting Fantasy. Se você sempre quis saber mais sobre a história da série Fighting Fantasy, então essa área é para você. A página de história é uma área do site onde iremos aos bastidores de como a série Fighting Fantasy começou.

Onde isso começou?

Tudo começou em 1980, na exposição anual Games Day, da Games Workshop, no Royal Horticultural Hall, em Londres. A Penguin Books tinha montado um stand para promover um novo livro chamado Playing Politics. Steve Jackson e Ian Livingstone, os jovens fundadores da Games Workshop, reuniram-se com uma das editoras da Penguin, Geraldine Cooke. A mania do Dungeons & Dragons estava se espalhando como fogo e eles tentaram convencer Geraldine a publicar um livro sobre o crescente hobby Fantasy Role-Playing (FRP). Ela os convidou a envia-la uma sinopse.

Era para ter sido uma espécie de guia “passo a passo”, uma introdução ao mundo dos jogos de RPG. Mas a dupla apareceu com uma idéia muito mais interessante. Por que não um simples role-playing game solo apresentado nas páginas de um livro? Isso alcançaria o objetivo muito mais efetivamente do que um tedioso compêndio de regras. Eles iriam criar uma busca pessoal na qual o leitor se tornasse o herói de sua própria aventura, usando a mecânica dos parágrafos desordenados e um simples sistema de combate baseado em dados. E assim, ainda com título provisório The Magic Quest, surgiu o conceito do livro-jogo.

Quando Geraldine Cooke recebeu sua sinopse de The Magic Quest, ela não sabia bem o que fazer. Era um livro? Ou um jogo? Era para crianças? Ou para adultos? O original passou entre os editores da Penguin por um ano antes de finalmente ser tomada a decisão de publicar The Magic Quest. Steve e Ian agora tinham de transformar sua idéia em realidade. Escrever uma sinopse era uma coisa, mas uma aventura completa era algo totalmente diferente. E como eles também tinham a Games Workshop para administrar durante o horário normal de expediente, todo o trabalho no livro ocupou as noites e os fins de semana. A dupla levou seis meses para escrever The Magic Quest, que por esta altura já tinha um nome próprio. A aventura se passava no interior da Montanha de Fogo, o encontro final era com o Feiticeiro Zagor, portanto: O Feiticeiro da Montanha de Fogo.

A trama em si foi dividida em duas partes. Ian escreveu a primeira metade da aventura, até a travessia do rio. Steve escreveu a segunda metade (a partir do rio), desenvolveu as regras de combate e o sistema base para impedir o leitor de trapacear ao longo do caminho. Mas quando eles finalmente entregaram o original, um assistente de editor muito educadamente explicou que ainda precisava ser aprimorado. O estilo de escrita mudava completamente quando você chegava ao rio! O original precisava ser reescrito. Editores de texto ainda não haviam sido inventados, de modo que isso significava reescrever enormes seções de texto mais uma vez.

Mas a segunda versão se saiu bem. O problema seguinte era quem iria publicá-la. Geraldine Cooke, que havia assinado o título, queria que fosse um título Penguin. Outros dentro da organização pensaram que o livro deveria sair em um a linha infantil da Penguin, como a Puffin Books. A Puffin venceu a discussão e O Feiticeiro da Montanha de Fogo foi lançado pela primeira vez em agosto de 1982, publicado pela Puffin Books. As vendas no início não eram nada excepcionais. Mas a novidade começou a se espalhar pelas escolas, faculdades e também – graças à relação com a Games Workshop – em torno da comunidade de jogadores. Se tratava de algo novo, parte livro, parte jogo e parte quebra-cabeça. Dentro dos três primeiros meses, O Feiticeiro da Montanha de Fogo já havia sido reimpresso três vezes. No primeiro ano ele foi reimpresso vinte vezes! A Penguin solicitou desesperadamente uma sequência. Dessa forma começou imediatamente o trabalho em A Cidadela do Caos (Steve) e A Floresta da Destruição (Ian) – qualquer diferença em estilos de escrita não seria mais um problema se os dois autores estivessem escrevendo por conta própria. Em março de 1983, os três títulos estavam no topo da lista de bestsellers do The Sunday Times. O fenômeno Fighting Fantasy havia chegado!

O sucesso da FF, inevitavelmente, trouxe suas críticas. Um membro declarado da Aliança Evangélica chamou a obra de satânica e exigiu que fosse proibida. Fequentemente questionada pela mídia se as histórias de espadas, magia e demônios eram apropriadas para uma editora infantil como a Puffin, a Diretora Editorial Liz Attenborough fez um trabalho valoroso para defender a honra da FF. Mas para cada crítico, também houve um apoiador da FF. Professores, por exemplo, relataram como a FF tinha sido extremamente bem sucedida ao atrair adolescentes para a leitura – particularmente aqueles classificados como “leitores relutantes”.

Até então Ian e Steve tinham se tornado praticamente eremitas. Quando não estavam trabalhando no escritório da Games Workshop eles estavam escrevendo. Eles viram muito pouco de seus amigos e família durante este período. Steve tinha prometido a Geraldine Cooke uma série mais avançada para a Penguin. O primeiro livro desta “série Sorcerer” foi lançado no final de 1983. Ian viu o emergente mundo da FF, conforme descrito nos 3 primeiros livros, com uma necessidade de ser desenvolvido para adquirir “profundidade”.

Dentro do mundo de Titan, o continente de Allansia foi o cenário para os  livros  FF de Jackson e Livingstone. Através de títulos como A Masmorra da Morte e A Cidade dos Ladrões, Allansia ampliou seus próprios personagens, histórias e lendas, proporcionando uma riqueza até então inédita para a mitologia da Fighting Fantasy. Alguns dizem que a imitação é a mais elevada forma de lisonja. Mas Ian e Steve não se sentiram particularmente lisonjeados ao saber que outros editores estavam rapidamente planejando livros-jogo de fantasia “similares”. Para se defender dos imitadores, a Puffin pretendia aumentar o cronograma de publicações para um livro por mês.

Mesmo com a maior boa vontade do mundo, não havia nenhuma condição para os dois criadores da série poderem manter esse nível de produção. Novos escritores foram apresentados, no que ficou conhecido como a “série Presents”. O primeiro deles foi outro Steve Jackson, fundador da Steve Jackson Games, de Austin, Texas. Muito confuso! Outros escritores tornaram-se conhecidos como  criadores de aventuras FF. Mas talvez o talento mais promissor da FF foi Marc Gascoigne, que escreveu diversas aventuras, livros Advanced Fighting Fantasy, romances e se tornou o editor da série até a Puffin finalmente deixar de publicá-la. FF 59: The Curse of the Mummy foi o último título publicado da série FF original.

Por que parar em um número tão esquisito? A verdade é que a série  deveria ter sido interrompida em FF 50: Return of Firetop Mountain. Mas como este  título havia vendido bem e reacendido as vendas do catálogo FF, a Puffin decidiu continuar lançando os novos títulos.

Eventualmente, a série acabou com o número 59. O tão aguardado Bloodbones, programado para ser FF 60, nunca foi lançado. No entanto isso não impediu o Amazon.com de oferecer o livro à venda como um item “em espera” por meses após a Fighting Fantasy estar realmente fora de catálogo. A série  da Puffin havia se tornado um fenômeno editorial no mundo inteiro. Foi licenciada para 17 países incluindo os EUA, Alemanha, França, Japão e Espanha – até mesmo a Islândia e Estônia! O total de vendas até o momento excederam 15 milhões de cópias.

Quando a Puffin finalmente parou de publicar, em 1999, havia 59 títulos na série principal, 4 títulos da “série Sorcerer”, Out of the Pit Monster Compendium Titan, Fighting Fantasy the Role-Playing Games e diversas aventuras, romances FF e a série em cores First Adventures, voltado para crianças. Em um total composto por mais de 70 títulos FF diferentes.

Muitos destes títulos estão há muito esgotados. Mas, recentemente, a Fighting Fantasy surgiu como um item de coleção em sites de leilão na Internet. Curiosamente, não são os primeiros livros ou primeiras edições que atraem os preços mais altos dos leilões, mas os títulos publicados no final do período da série na Puffin. Presumivelmente, estes compradores são antigos fãs crescidos em busca de completar as coleções que eles nunca conseguiram reunir em sua juventude.

Apesar de Steve e Ian serem os criadores da série, eles são os primeiros a admitir que a mesma não teria sido tão bem sucedida se não fosse pelos numerosos escritores e editores que contribuíram. Os outros heróis anônimos da FF foram os artistas. Iain McCaig, Martin McKenna, Chris Achilleos, Brian Bolland, John Blanche, Rodney Matthews, Jim Burns, Les Edwards, Ian Miller, Peter Jones (que fez a capa original d’O Feiticeiro) e Russ Nicholson foram todos grandes nomes do mundo da arte fantástica britânica cujas capas ajudaram a trazer vida à série para seus milhões de fãs ao redor do mundo.

Dmitri Gadelha

Rumo à terceira e última parte desta série de posts…

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3 comentários sobre “Fighting Fantasy (parte 2): A história dos livros-jogo

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