Clark Ashton Smith: Criando Mundos de Fantasia e Ficção

Dando continuidade a nossos artigos sobre escritores que influenciaram o RPG através de suas obras de suma importância, especialmente, aos gêneros que mais contribuíram para os conceitos básicos relacionados aos jogos de interpretação, trazemos hoje um pequeno relato sobre Clark Ashton Smith. Que, embora ainda bastante desconhecido no Brasil, é um dos grandes nomes da fantasia mundial, e responsável por vários conceitos extremamente famosos até nossos dias, graças a sua influência criativa sobre outros autores como H.P. Lovecraft e Robert E. Howard.

Ao contrário de outros escritores do gênero fantástico, este americano trabalhou em diferentes áreas artísticas. Cultivou a pintura, escultura e a poesia, sendo neste aspecto, considerado um grande nome do romantismo em seu país. Durante a infância, sofreu com doenças que o impediram de frequentar a escola regular. Recebendo lições em casa, rapidamente desenvolveu o gosto pela leitura de livros dos mais variados temas, sendo mais apreciados os de aventura. Leituras como Robinson Crusoé, As Viagens de Gulliver, os contos de fadas de Hans Christian Andersen e lendas das Noites Árabes, permearam sua infância e formaram muito do que seria seu estilo em fantasia, futuramente. Graças à sua memória eidética, absorvia muito do que lia e não demorou até que desenvolvesse o gosto pela escrita. Queria ele mesmo criar personagens e aventuras, representando assim uma liberdade que não tinha. Já aos 11 anos iniciou seus escritos, especialmente em formatos relacionados aos contos de fadas e lendas, influenciadas essencialmente pelas Mil e Uma Noites. Alguns de seus contos, escritos durante a adolescência, só foram recuperados vários anos depois de sua morte, sendo então publicados e considerados grandes sucessos de público e crítica.

No início de sua fase adulta, se dedicou aos poemas românticos, onde conquistou grande renome. Neste período abandonou a fantasia e cultivou o gênero que crescia em importância pelo mundo, o romantismo.  Porém, algo de grande relevância o fez retornar aos contos fantásticos, primeiramente, a morte dos pais, que o abalou profundamente. Foi durante a Grande Depressão americana que Smith retornou ao fantástico, onde também conquistou uma enorme fama, especialmente graças a sua contribuição na revista Weird Tales. Esta revelou o trabalho de grandes nomes da fantasia e se tornou referência aos apreciadores do gênero. Foi, a partir desta fase, que o autor passou a se corresponder frequentemente com dois grandes expoentes da publicação, H. P. Lovecraft e Robert E. Howard. Foram através destas cartas, que os escritores trocaram, muitas vezes, idéias, conceitos, personagens e temáticas referentes às criações mútuas. Lovecraft foi bastante influenciado por idéias de Smith, assim como Howard. Tanto que, muito da criação de horror do primeiro, foi construída em cima dos mitos de Chtulhu, assim como diversos conceitos da Era Hiboriana do autor de Conan, foram estabelecidos pelo autor.

Em cada livro um universo completamente diferente.

Clark Ashton Smith escreveu horror, fantasia e ficção científica. Dizem que seus contos de horror, assim como para Lovecraft, foram inspirados por seus pesadelos infantis, causados pelas enfermidades que o acometiam. Sua maior contribuição ao gênero fantástico foi a criação de mundos maravilhosos. Suas histórias eram sempre ambientadas em locais mágicos, ou extraplanares. Hiperbórea, Zothique, Poseidoni, foram somente alguns dos muitos mundos criados pelo escritor. A fantasia em seus contos era sempre fruto do desconhecido, o vislumbre de um universo insólito e diferente do ambiente natural. Esta característica, desenvolvida com maestria por Smith, viria, anos depois, ser um dos principais pontos da criação dos jogos de interpretação, onde os heróis vivem em mundos alheios ao real.

A revista Weird Tales, publicada na primeira metade do século XX, foi o lar de vários escritores usados como referência e/ou inspiração pelos autores de diversos cenários de RPG, inclusive para os criadores do jogo em si. E Clark Ashton Smith foi uma grande influência para muitos deles. Mais tarde foi estabelecido que ele, Robert E. Howard e H. P. Lovecraft formavam o triunvirato da revista, os líderes da publicação, dada a sua importância dentro da mesma.

Para escritores e narradores de RPG, a leitura dos contos do autor, são uma fonte inesgotável de conhecimento e influência. Mundos de ficção científica e fantasia medieval foram tão bem escritos e embasados, sempre através de uma linguagem forte, incisiva e rebuscada, que se tornavam críveis para os leitores. Ambientes misteriosos e fascinantes que cativavam à primeira vista, e se tornavam “vício” aos leitores sempre ávidos por novidades em relação à aqueles cenários exóticos.

 Sérgio Magalhães

Ainda escreverá um conto na Era Hiboriana

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3 comentários sobre “Clark Ashton Smith: Criando Mundos de Fantasia e Ficção

  1. Clark Ashton Smith é um dos mgrandes nomes da ficção e do gênero Fantástico. O sujeito escreveu alguns contos notáveis. Vale muito a pena procurar material dele.

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