Tormenta RPG: Sangue e Glória – Fortaleza de Govanon

Desde o início da campanha Sangue e Glória, que já teve o primeiro relato e você poderá acompanhar semanalmente no Vila do RPG, me propus a preencher espaços vazios dentro do cenário de Arton, em Tormenta RPG. Mesmo sendo hoje um ambiente extremamente rico e detalhado, o mundo não é, e nem poderia ser, inteiramente descrito, mesmo tendo excelentes livros de referência, como o Reinado d20, por exemplo. Nosso objetivo é dar mais possibilidades de jogo dentro de um reino específico do cenário de campanha (Tyrondir, nesse caso), oferecendo material de campanha aos mestres que acompanham o blog: cidades, personagens, aventuras e eventos, respeitando a história do mundo de Arton. Hoje, trazemos uma importante localidade deste reino, a Fortaleza de Govanon. Partindo deste ponto específico, teremos a apresentação de alguns dos mais importantes aspectos do ambiente como: estrutura física, principais habitantes, história e atual envolvimento com o reinado. Então, sem mais a dizer, vamos à descrição do cenário…

História da Fortaleza

Antes mesmo do reino humano de Tyrondir se formar, no extremo sul do continente de Ramnor, uma poderosa fortaleza anã já havia, há muitos anos, se estabelecido em uma montanha a oeste do futuro reino. A história deste poderoso forte se inicia por volta do ano de 790 do calendário oficial de Arton. Um líder anão chamado Gulrod, da imponente casa mineradora de Govanon, deixou o subterrâneo, onde mais tarde se formaria uma importante cidade de Doherimm, e se dirigiu até uma montanha inexplorada bem ao sul de sua terra natal. Reza a lenda, que ele foi guiado até o local pelo próprio Khalmyr. O deus da justiça achou importante ter um bastião seu naquele ponto inexplorado do continente que, mais tarde, seria bastante atacado pela força de outros deuses. Nos corredores secretos do interior da montanha, batizada pelos anões de Monte Morgrin, Gulrod e os mineradores de sua casa, acharam um abundante veio de prata, riqueza inestimável para seu povo.

Gulrod, o primeiro senhor da Fortaleza de Govanon.

O primeiro grande cisma ocorrido na fortaleza ocorreu em 809. Todos os anões espalhados pelo mundo foram atraídos para Doherimm pelo Chamado às Armas, uma grande convocação para a guerra travada entre anões e trolls das cavernas. Em seu palácio, no alto da montanha, Gulrod declarou Govanon, como ele batizou a cidadela anã, isenta a este chamado. Nesta época, seu povo vinha travando vários conflitos com criaturas subterrâneas, lutando metro a metro, para conquistar novos pontos de mineração. Segundo o senhor da fortaleza, eles tinham sua própria guerra a ser travada e, os orgulhoso lordes anões de Doherimm, certamente não precisariam da ajuda dos poucos guerreiros que ele dispunha ali. A verdade é que esta atitude radical foi motivada pela mágoa de Gulrod em relação aos governantes do reino anão. Nunca se descobriu a real razão disso, mas se sabe que o desentendimento dele com os lordes da capital subterrânea de seu povo é que teria motivado sua vinda até Morgrin. A atitude do senhor de Govanon, porém, não passou despercebida por seus iguais. O povo da fortaleza seguiu fielmente a decisão de seu líder, e nenhum anão abandonou as muralhas do forte em direção à guerra. Esta atitude, como veremos mais a frente, foi muito importante para a política da cidadela anã. Diante da ausência da casa Govanon na guerra contra os trolls, os lordes da capital dos anões declararam o forte de Gulrod banido do convívio da comunidade anã. Nenhum habitante daquele local jamais seria recebido novamente em Doherimm, não poderiam comercializar com outros anões e nem receberiam qualquer ajuda vinda de seus compatriotas em caso de alguma dificuldade.

Nos anos que se seguiram esta atitude do povo da montanha não abalou em nada a confiança dos habitantes da fortaleza. Sua riqueza só crescia, enquanto sua população aumentava gradualmente. A partir de 1025, quando foi formado o reino humano de Tyrondir, o comércio entre as duas raças acabou aumentando bem mais a riqueza e importância dos lordes anões. Até mesmo os reis do jovem reino foram recebidos nos salões dos senhores da fortaleza. Graças a isso, várias localidades se estabeleceram a oeste de Tyrondir, sendo uma das mais representativas destas cidades, Landor.

Mineradores de Govanon, mestres na extração de prata.

A Guerra das Sombras

Por mais de dois séculos o poder dos senhores de Govanon cresceu, assim como sua aliança com os homens que viviam aos pés do Monte Morgin e ao longo de toda a região oeste de Tyrondir. Enquanto os anões ofereciam metal e pedras preciosas (encontradas posteriormente nas cavernas), os homens abasteciam os anões com uma infinidade de outros materiais, como tecidos, cerveja e cereais. Mesmo tendo uma enorme cumplicidade entre os dois povos, somente uma lei era seguida com avidez pelos moradores de Govanon: a cidadela só poderia ser habitada por anões. Mesmo os mais confiáveis comerciantes humanos nunca viram o interior das muralhas anãs.

Esta situação começou a mudar aproximadamente em 1250. Segundo foi constatado posteriormente, um clã amaldiçoado de elfos, adoradores de Tenebra, invadiu a montanha por uma antiga entrada secreta, desconhecida mesmo pelos anões. Este portal escondido pertencia a uma masmorra ancestral da deusa infame dos elfos negros. Este grupo de elfos reviveu através de um ritual profano, uma centelha de sua deusa, incorporando-a em uma de suas sacerdotisas. Fortalecidos por este imenso poder, eles partiram para conquistar a poderosa fortaleza anã, localizada no extremo oposto do Monte Morgrin. Contam os sobreviventes que o primeiro ataque já foi devastador! Pegos de surpresa, os mineradores foram aniquilados por feiticeiros elfos negros e centenas de aranhas gigantes. Diante deste primeiro ataque, o senhor da fortaleza, Gulthorn, filho de Gulrod, organizou suas forças para uma violenta investida contra os invasores. No entanto, o que para os anões seria um conflito rápido e fácil se tornou uma penosa epopéia! Dezenas de conflitos eclodiram pelos túneis, sempre acabando com os anões mais enfraquecidos. Estas batalhas foram chamadas Guerra das Sombras, especificamente, em referência aos elfos negros e seus feitiços de escuridão, além do campo de batalha onde se travavam os combates, sempre nas masmorras mais profundas da montanha.

Guerreiro anão lutando na Guerra das Sombras, contra os odiosos elfos negros.

O Tratado

Pouco mais de um ano após o início da Guerra das Sombras, a situação dos anões era caótica! Seu número já era bastante reduzido e eles perdiam cada vez mais áreas dentro de seu território. Os conflitos, antes travados nas cavernas mais profundas, agora eram travados nas ruas subterrâneas da fortaleza. No momento de maior desespero dos anões, quando Govanon estava prestes a ser tomada, um grupo de homens chegou, enviados pelo rei de Tyrondir. Eles trouxeram consigo uma proposta vital para a sobrevivência do forte. Segundo estabelecia o tratado proposto pelo rei, os homens entrariam no conflito, enviando os mais poderosos guerreiros que estivessem à disposição, mas exigiam, em contrapartida, que sua raça tivesse participação direta na política da cidade, podendo residir no local e controlando a área externa de Govanon.

Embora tenha recusado em primeiro momento, o senhor da fortaleza foi obrigado a aceitar o tratado, diante da ruína inevitável de seu povo. Como prometido, o rei de Tyrondir enviou uma força de poder imenso contra os elfos negros e suas hordas de aranhas gigantes. Mesmo lutando por alguns meses, os heróis do reino humano conseguiram vencer os elfos negros e destruir o avatar de sua deusa maligna. Acabada a Guerra das Sombras, os homens se estabeleceram em Govanon com grande poder e influência. Os anões, em número bastante reduzido, foram restringidos à parte subterrânea da cidade e passaram a ocupar basicamente o posto de mineiros, enquanto os humanos dominaram a parte política e comercial da fortaleza.

Situação Atual

Marisah Wynallan, atual senhora da Fortaleza de Govanon.

Com a recente tomada de Khalifor, A Fortaleza de Govanon passou a ser a mais poderosa e influente fortificação de Tyrondir. Seu líder, atualmente posto ocupado por Marisah Wynallan, é inteiramente leal à coroa da capital do reino, Cosamhir. A senhora do forte é tida como uma líder benévola, embora decidida e irredutível em suas decisões. Recentemente viúva, acolheu o poder com uma natural afinidade. Nunca os homens tiveram tanto poder na cidadela em relação aos anões, que tem crescido significativamente em número e influência dentro das muralhas de Govanon. Boatos chegam até as cidades que comercializam com a fortaleza, que uma crescente insatisfação tem surgido entre os anões, desejosos pela conquista do antigo poder supremo sobre o forte. O principal líder dos anões, e principal opositor da senhora Marysah é Mirlík Miril, líder do bairro anão dentro da fortaleza. Entretanto, o poder político da senhora humana é muito grande, não só no forte, mas em toda região oeste do reino. Os líderes de Govanon sempre foram considerados guardiões do oeste, responsáveis pela guarda das terras próximas ao Monte Morgin. Graças a isso, a influência de quem governa a fortaleza é, algumas vezes, maior que o do próprio rei nas terras além dos Rios Gêmeos, Tyren e Talion.

Embora a população, e conseqüentemente o exército, não seja enorme em termos que quantidade de membros, hoje, eles são os mais bem armados e preparados soldados do reino. Homens e anões atuam juntos como um braço armado considerado imbatível! É um consenso em toda Tyrondir que Govanon é invencível, devido à fortificação de suas muralhas e da própria cidadela. Os habitantes de ambas as raças predominantes, são extremamente patriotas em relação à fortaleza. Em caso de interação com outras pessoas do reino, sempre irão contar vantagem, devido ao poder e influência de Govanon.

Como importante aliada do Rei Balek III, a fortaleza ainda não se posicionou em relação à ameaça de conquista da Aliança Negra. Para os habitantes de Govanon, o nome Thwor Ironfist não passa de um sussurro dos fracos e ignorantes moradores do sul do reino. Atualmente, a região protegida pelo forte passou por um longo período de prosperidade e paz, até a chegada do Arauto de Keen

Caminhos tortuosos levam até a cidadela...

Conclusão

Bem, acabamos aqui esta parte da descrição desta fortaleza, que será muito importante nas futuras aventuras da minha campanha de Tormenta RPG, chamada Sangue e Glória. Nos futuros relatos de campanha, certamente teremos mais detalhes sobre a ambientação, além de mais personagens do mestre, mapas, etc. Espero que tenham gostado e fiquem à vontade para comentar e sugerir mais aspectos…

Sérgio Magalhães

Criador de mundos imaginários.

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11 comentários sobre “Tormenta RPG: Sangue e Glória – Fortaleza de Govanon

    1. Opa! Valeu mesmo João Eugênio! Sempre bom receber a opinião da galera, boas e ruins, claro. Mas sempre trabalhamos para que sejam boas!!

      Abraço

    1. Sr Mistério!

      Fique de olho cara, em breve vamos abrir espaço para autores novatos, especialmente aos amantes de Tormenta RPG. Então, continue acompanhando o blog, você não vai se arrepender.

    1. Valeu Hermann!!

      Não deixe de conferir o que já passou em relação a campanha Sangue e Glória, e ler as novidades semanais sobre a mesma, ok?

      Abraço e obrigado pelo comentário

  1. Como eu disse no FB, Sérgio, você está fazendo um grande trabalho. Só me motiva a pensar cada vez mais nas minúcias de cada reino antes de mestrar. Quando rolei um pedaço de campanha em Tyrondir, há uns 8 anos atrás, ficou muito inferior a essa contextualização que vc tá dando. Meus parabéns, e quero mais material pra ler e incorporar na minha Arton também!

    1. Valeu mesmo Dan!

      Pensei desde o inicio no contexto histórico por trás dos locais onde os personagens passariam. Isso dá vida ao cenário de campanha. Me inspirei para fazer isso no obrigatório O Senhor dos Anéis onde, cada lugar por onde os heróis passam, possui centenas de anos de histórico.Além disso, concede ao mundo uma rotatividade que não depende inteiramente da ação dos PdJ´s.

      Em breve devo trabalhar em mais detalhes desta fortaleza, que é lar do personagem Mirligrik, o anão monge da minha campanha.

      Abraço

    1. Valeu Vinícius!

      Cara dá um trabalho fazer isso, mas é muito gratificante, principalmente quando se esta fazendo com prazer pelo jogo. Espero mesmo estar ajudando e, mais importante, estimulando a galera a produzir e jogar!

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