Relato: Curso de RPG e Educação no SENAC

Mês passado, no período entre os dias 19 e 23 de setembro, dois dos integrantes do grupo Vila do RPG ministraram no SENAC do centro de Fortaleza, um curso sobre RPG e Educação, com o tema Usando os Jogos de Interpretação de forma Lúdico-pedagógica. Esta parceria surgiu mais especificamente um pouco antes do FORPG, evento realizado por nós no Centro Cultural Banco Nordeste, em julho deste ano. A instituição, desde o início, apoiou a iniciativa de maneira incondicional, e demonstrou grande interesse em conhecer um pouco mais sobre a metodologia do jogo, em aspectos lúdicos e didáticos. Diante disso, eu e o Dmitri Gadelha, enquanto educadores, criamos um projeto, após alguns meses de pesquisa, e o apresentamos ao SENAC, que acolheu imediatamente, sempre com uma grande expectativa sobre o tema. O curso, neste primeiro momento, foi voltado a funcionários e professores da própria instituição.

Conhecendo os itens para se jogar.

Falando um pouco mais sobre o andamento das aulas, o curso, por ter 20 horas, permitiria uma abordagem bastante superficial do conteúdo, no entanto, seria o suficiente para a plena compreensão dos aspectos fundamentais da união entre lúdico e pedagógico, proposta nesta linha de trabalho relacionado aos jogos de interpretação. As aulas foram dividas essencialmente em dois focos, como veremos a seguir.

No primeiro, apresentamos o jogo em si, atitude essencial, já que o público era inteiramente leigo no conhecimento sobre RPG. Somente a partir da percepção dos benefícios intrínsecos ao jogo, como a diversão, interação social e cooperação, poderíamos introduzir conceitos didáticos ligados a esta proposta inicial. Neste primeiro momento surgiram muitas dúvidas, especialmente sobre características bem comuns relacionadas ao jogo, tais como: Qual o papel do mestre? Como interpretar o personagem? Para que serve a ficha de personagem? Dúvidas comuns, porém bastante úteis. Através delas, percebemos tanto o grande interesse dos alunos pelo conteúdo, quanto a ansiedade por avançar nos aspectos ensinados. Ao final desse processo, jogamos uma partida com a turma, divida em duas mesas com cerca de 8 jogadores cada. A partida, elaborada pelo professor Dmitri Gadelha, foi relacionada com o período colonial brasileiro, mais especificamente no período da exploração aurífera nas Minas Gerais, no século XVIII. O exercício serviu para introduzir na prática, conceitos que falamos na teoria.  Como, por exemplo, a inserção de conhecimento prático através da narração, tendo neste aspecto, o narrador papel de educador também. O envolvimento, claro,  foi imediato! Formulamos classes básicas, baseadas em tipos da época e os alunos voaram no cenário de campanha. Metodologia extremamente proveitosa, e que deixou um gostinho de “quero mais” em todos os envolvidos.

Na segunda parte do processo,  desenvolvemos  as características responsáveis pela união lúdico-pedagógica do jogo, e por fim, como montar uma aventura tendo embasamento em um conhecimento específico, no caso deles técnico, com uma narração de RPG. Nesta parte do curso imergimos nas técnicas utilizadas em uma atividade envolvendo jogos de interpretação, e quais os recursos mais comuns e agradáveis ao público. Como professores de cursos técnicos, os alunos ficaram com muitas dúvidas de como aplicar na prática alguns conceitos do jogo. Aqui foi o momento da apreensão do que tinham apreendido para a montagem de uma atividade prática, inserindo conceitos de suas diferentes áreas. Feito isso, passamos a analisar cada uma delas, dando dezenas de exemplos e dicas sobre a implantação de conhecimento em uma camada profunda cercada de um cenário atraente e divertido acima de tudo. Foram muitas dúvidas, discussões de temas e objetivos, e esclarecimentos.

Professores jogando RPG pela primeira vez.

Passado o curso, avaliamos, já no fim da última aula, o saldo do mesmo: extremamente positivo! Os alunos saíram pedindo uma extensão, e a coordenação do SENAC nos solicitou de cara um projeto ampliando o curso. Fato, mais que suficiente, para provar a boa receptividade entre os participantes e a instituição. Nestes 5 dias de muito trabalho e dedicação, nos foi possível ver, claramente, como o RPG vem sendo, finalmente, visto como algo positivo e engrandecedor. Todos saíram com a mente trabalhando para desenvolver atividades relacionadas a jogo, e ampliar os conhecimentos adquiridos através de outras leituras. O que, mais uma vez, reforça a aceitação do mesmo entre os profissionais/alunos que se envolvam tão profundamente neste curso.

Nós do Vila do RPG agradecemos imensamente o respeito e profissionalismo com que sempre fomos tratados pelo SENAC e a todos os alunos que compareceram durante todas as noites, mesmo após um dia cansativo de trabalho, para conhecer este jogo tão estranho e maravilhoso e, o mais importante, por terem aceito tão bem e visto as reais possibilidades do uso do RPG como uma importante ferramente educacional.

Sérgio Magalhães  

Que nunca havia imaginado dar aula do SENAC!

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10 comentários sobre “Relato: Curso de RPG e Educação no SENAC

  1. Isso realmente empolga muito pra quem é amante de rpg!!! Imagina! Rpg na sala de aula! Sem exageros.. isso talves um dia seja considerado um marco na historia da popularização e até desenvolvimento do rpg.. vocês realmente estão caminhando aos galopes. Novamente parabéns pelo trabalho, dedicação e amor pelo jogo. O rpg pra mim sempre foi um robin..que vinha da essência, era sempre momentos que podia fazer anos de cultura NERD inútil tornar-se útil, hauhahua, e compartilhar e aprender com aquilo que mais alimenta o ser humano: os sonhos, a imaginação e transgêneros. Vocês estão conseguindo profissionalizar esse hobin, quem diria..huahauha, o foco é outro, parabéns! Enfim se fôssemos musicos eu seria a música pela música, só pelo pelo prazer, e você faria da sua além de sua paixão também sua profissão.. somos diferentes, mas temos o mesmo vício: O RPG!!! Se precisarem dão um toque

  2. A muito a pratica veem tendo olhares pelos Docentes! Como “Mestres” são mais do que haptos para o trabalho. Entretanto não deve ser levado pelos mesmos como “mais um método de ensino”, pois a muito o RPG é tratado por discriminação e são os “Mestres” que poderão mudar isso. Que deem jus ao nome obtidos por eles, pois a muito deveriam ser chamados assim.

    Professores mais do que tudo são Mestres e agora terão de fato este titulo. O Futuro está nas mãos de quem ensina. Não nos desapontem. Falo por todos os Mestres ao qual eu tive o prazer de Narrar. Abraço.

    vlW (Y)’/§\ Thay.Narrador

  3. Primeiramente valeu pelo comentário Thay!

    Quanto ao que argumentou, não concordo que o RPG seja visto mais com preconceito. A prova maior disso são os trabalhos realizados por nós com estes orgãos de grande respeito, como o Banco do Nordeste, SENAC, dentre outros. Esta fase de discriminação passou há muito tempo. Sempre que oferecemos parcerias para trabalhar o RPG, seja na educação ou simplesmente como ferramenta lúdica, somos muito bem atendidos por todos e temos todas as garantias e serviços para realizar o trabalho da forma mais satisfatória possível. E olha que já trabalhamos com isso até em cidades do interior onde o jogo era totalmente desconhecido.

    Concordo quando diz que cabe aos educadores oferecer opções para que o jogo seja aceito como algo de potencial e inovador em termos de educação, e, acredite, isso vem cada vez mais sendo feito.

    Agradeço novamente pela contribuição

    Abraço

  4. Eu acho que todo cuidado deve ser tomado, incluir o RPG na prática de ensino deve ser tomado como um prazer, para professores e alunos, porém, o que acontece com a educação, pelo menos em SP, que acompanho por minha esposa ser da área. É que para tudo se cria um método, e tentar fazer o mesmo com o RPG (não que isso vá acontecer) seria reduzir, senão, anular o processo criativo, mas especulações de um futuro sombrio não vêm muuito ao caso.

    Parabéns pela iniciativa e pelo sucesso na empreitada!!!

    1. Valeu mesmo Thiago. Nossa intenção é justamente essa, disseminar o RPG como atividade lúdica, mas também elevar a importância dele em suas ligações com a literatura e a educação, por exemplo. Obrigado pelo apoio!

      Abraço

  5. Show demais. Dmitri e Sérgio estão de parabéns pela iniciativa e por terem posto ela em prática de uma maneira muito competente! Utilizar RPG em sala realmente é uma atividade muito complexa e delicada que precisa de muito cuidado – já fiz e assumo que não foi fácil manter o sucesso.

  6. Pessoal da vila, Sergio, estive a procura de seus contatos (e-mail, etc) mas não encontrei ainda…
    gostaria de ter acesso ao projeto que vcs enviaram ao banco do nordeste e senac para a realização da oficina. Aqui em Belém nosso grupo está com algumas idéias do gênero, então seria uma mão grande podermos nos basear no documental de vocês. Seria possível? aguardo resposta

    Aforen Kass (aforenthemage@gmail.com)
    ESPÍRITO LIVRE RPG (espiritolivrerpg.blogspot.com)

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