Tinta & Pena: Erica Awano – A Musa do Mangá Nacional

O Brasil definitivamente adotou a cultura japonesa, em seus mais diversos aspectos, como algo próximo e apaixonante. Os eventos grandiosos de anime/mangá país afora são a prova definitiva que a juventude brasileira acolheu com amor incontido a arte da terra do sol nascente como sendo sua, e parte de sua realidade artística. Analisando este aspecto de maneira mais profunda, percebemos que o desenho japonês representa, hoje, um dos mais importantes traços culturais enraizados em nosso cânone tupiniquim. Basta, para isso, um olhar rápido sobre o mega sucesso de animes/mangás em todo o território nacional; até mesmo em locais aparentemente improváveis há certo tempo atrás como o Ceará, por exemplo. Entretanto, existe uma peculiaridade considerável relacionada a este agregamento artístico relacionado à imersão brasileira na cultura japonesa. Embora esta arte fosse amplamente aceita por um público gigantesco, poucos artistas brasileiros alcançaram status entre os admiradores do mangá e tiveram suas obras reconhecidas como igualmente representativas, frente aos autores nipônicos. Entre os poucos que conseguiram, com muita luta aliada a competência e talento, elevar seu nome como um dos mais importantes do mangá no Brasil, temos o de Erica Awano.

Neta de japoneses, Erica Awano teve seu primeiro contato com os quadrinhos  nipônicos quando visitava os avós, ainda durante a infância. Estes, eram guardados pelos parentes para a leitura das crianças, proporcionando assim um primeiro contato entre os filhos nascidos no Brasil e a língua de seus ancestrais. A própria artista afirmou que, nos primeiros anos, por não compreender os ideogramas, restringia sua atenção aos traços incomuns e, ao mesmo tempo, surpreendentes das obras que lia. Mais tarde, quando já praticava seus desenhos, enviou uma carta com algumas ilustrações ao editor da revista Animax. Recebeu, dois dias depois, uma ligação do mesmo, interessado no trabalho da jovem artista. A partir dai, seu envolvimento só cresceu relacionada ao trabalho com mangá. Temos depois, passou a contribuir também com a revista Anime Ex, assinando uma coluna chamada “Como Desenhar Anime”.

Formada em Letras pela USP, continuou divulgando sua técnica, cada vez mais apurada e iniciou a assinatura de quadrinhos/mangás. Awano é o típico caso de ser a pessoa certa no local correto. A ascensão de sua carreira coincidiu perfeitamente com o crescimento do estilo japonês nos quadrinhos nacionais. Várias marcas consagradas no Japão foram licenciadas para nosso país e chegaram às bancas com força total, sendo um desses casos o primeiro trabalho totalmente assinado pela artista, um mangá licenciado de Mega Man, pela editora Magnum, em 1996. Logo em seguida, ela assinaria uma parceria que mudaria o rumo de sua carreira. Em parceria com Marcelo Cassaro, editor da Revista Dragão Brasil, publicou Street Fighter Zero 3, outra licença que alcançou um sucesso considerável no mercado nacional. Nesta época, sempre em parceria com Cassaro, Awano entrou no mercado de RPG assinando várias ilustrações para o Manual Básico 3D&T e para as primeiras versões de Tormenta.

E foi com Tormenta que a desenhista alcançou seu voo mais alto até hoje. Consolidando a parceria com o editor da Dragão Brasil, assinou a HQ Holy Avenger, um quadrinho ambientado em Arton,   cenário criado pelos editores da citada revista e que, rapidamente, conquistou um enorme sucesso, tanto na cena de RPG nacional quanto entre os aficionados por quadrinhos. Com uma qualidade excelente, HA, criada em 1999 lançou, primeiramente, 40 edições, tendo, posteriormente, várias edições especiais que contaram com outros artistas brasileiros. A publicação venceu por dois anos seguidos o Troféu HQ Mix e se tornou o mais bem sucedido do Brasil até nossos dias, sendo lançado ininterruptamente por 3 anos seguidos, fato, até então, inédito para um quadrinho criado e editado no Brasil! O traço característico e bem executado da ilustradora, chamou tanta atenção do público e crítica, que, após o fechamento da publicação, foi lançada uma edição especial denominada A Arte de Holy Avenger, com desenhos essencialmente da artista, demonstrando a qualidade inquestionável da obra.

Posteriormente, e já considerada um dos mais importantes nomes do mangá nacional, Erica Awano assinou o gibi de World of Warcraft, uma das franquias de fantasia mais conhecidas do mundo. Porém, a consagração da ilustradora veio em 2009 com o convite da Dynamite Entertainment para que ela participasse da equipe de execução do quadrinho The Complete Alice in the Wonderland, uma adaptação idealizada por nada menos que Leah Moore, filha de Alan Moore. Uma oportunidade única para alavancar a carreira internacional da artista.

Completa a adaptação americana de Alice no País das Maravilhas, uma nova parceria com Marcelo Cassaro pôs novamente o nome de Erica Awano na cena rpgista nacional. Dbride, uma nova aventura ligada à Tormenta RPG passou a ser publicada mensalmente nas páginas da Revista  Dragon Slayer. Lançada, recentemente, na integra pela Jambô Editora.

Erica Awano consagrada como um dos maiores nomes do mangá nacional

Erica Awano representa, assim como vários outros artistas nacionais ligados ao RPG e quadrinhos, que competência, originalidade e talento, não precisam ser importados para que se tenha qualidade. Seu traço rápido e preciso, não deve em nada para ilustradores japoneses ou de qualquer parte do mundo. Pena que, no Brasil, os artistas acabam não sendo valorizados como devem e verdadeiras pérolas, como a artista, tem suas obras e importância diminuídas em detrimento de um pensamento restrito portado pelos profissionais da cena nacional. Quem teve a sorte de acompanhar sua obra, até hoje, mais divulgada, no caso Holy Avenger, sabe que a qualidade dos desenhos é inquestionável. Uma pena que seja fruto de um país onde a arte é sempre jogada para segundo, ou terceiro, plano.

Então,  se você ainda não conhece o trabalho fantástico dessa artista nacional, não deixe de acompanhar e prestigiar um trabalho que, além de mega competente, é nosso, e representa a qualidade e competência do mercado nacional em termos de criação.

Sérgio Magalhães

Desenhos bem feitos superam qualquer estilo empregado

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3 comentários sobre “Tinta & Pena: Erica Awano – A Musa do Mangá Nacional

  1. Eu sou um grande fã da Awano, gosto muito do seu trbalho e digo mais, ele me influenciou muito no meu estilo de desenho, principalmente quando estava começando. Lembro que uma dos primeiros quadrinhso que comprei foi a edição 40 de holy Avenger. =]

    E ela só tem evoluido com o tempo, como podemos ver em D-bride, onde seu traço esta ainda melhor. è isso ai, boa sorte Erica ^^

    ps: pensava que quem tinha feito ethora era outra Erica, a Horita…

  2. Realmente Odmir! Mega canelada minha: Ethora foi realmente desenhado por Erica Horita!!

    Para não deixar informações equivocadas, o post já foi corrigido!

  3. Conheci a Erica pelo manual 3D&T , meu primeiro sistema de regras e querido até hoje ,por mais que falem mal rs…Realmente ela é uma profissional no que faz e tive o prazer de assistir uma palestra dela no Sana , no primeiro Sana que fui e fiquei ainda mais fã.Tirando as caneladas rsrs…ótima matéria Sérgio , ela merece ser divulgada e homenageada!

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