Magic The Gathering: A Alma do Mundo (A História de Naya)

Enterrado por séculos de crescimento vegetal, algo adormece no Vale do Ancião. O local é protegido e constantemente observado pelos elfos Cylian. Eles acreditam estar protegendo o sono do deus-hydra Progenitus, que está descansando profundamente sob o solo da selva. Existem três fendas no chão da floresta que esporadicamente emanam um vapor que os Cylian afirmam ser a respiração lenta e compassada do deus adormecido. Muitos elfos dedicam sua vida ao entendimento da vontade desse deus e fazem de tudo para mantê-lo em paz.

Os elfos acreditam que o deus-hydra é tanto a origem quanto a sustentação da vida em Naya. Porém, ele deve ser mantido em seu sono pacífico para não trazer o apocalipse a Naya. Mesmo assim, apesar dos esforços dos elfos, os planos começam a se juntar novamente e as manas preta e azul, que não existiam mais, tornaram a fluir em Naya, e o deus-hydra finalmente é acordado.

A Alma do Mundo retornou.

– Magic The Gathering, A Alma do Mundo.

Assim iniciava a postagem no site oficial de Magic: The Gathering (MTG) em 2009. A autora da postagem, Jenna Helland, participou do desenvolvimento do bloco de Alara (três expansões: Fragmentos de Alara, Confluência e Alara Renascida) e resolveu explicar a história por trás da expansão Confluência. Traduzi e resumi aqui a postagem por achar que esta é uma ótima idéia para você incluir em uma campanha medieval. Antes, porém, preciso apresentar você ao plano de Alara.

O despertar de Progenitus, deus-hydra de Naya.

Alara

No multiverso, um plano rico em mana foi separado em fragmentos. Cada fragmento possuía três cores de mana e faltava duas. Milênios passaram e a vida em cada um dos fragmentos se desenvolveu singularmente. Até o ponto em que a memória de um plano só foi reduzida a mito, e os habitantes de um fragmento não sabiam mais da existência dos outros quatro. Bant, Jund, Naya, Grixis e Esper são os cinco fragmentos.

Até o Confluxo, a maioria dos nayanos via a vida como uma celebração. Os recursos naturais eram abundantes, os conflitos raros, e o prazer era um agradecimento pelas bênçãos de Progenitus. Entretanto, um nayano em particular carregava sempre uma responsabilidade pesada: Mayael, a Anima. Uma jovem elfa, Mayael foi escolhida dentro da linhagem de druidas que tinham uma conexão direta com os gargantuanos que caminham pelo plano. Ela carrega consigo uma conexão espiritual com Progenitus, de certo modo que ela pode sentir a fragilidade do mundo de uma maneira que seus iguais não poderiam entender. Os elfos Cylian acrditam que a Anima é a única que pode entender a vontade de Progenitus; que somente ela pode o que eles devem fazer para satisfazer sua natureza tempestuosa.

Mayael acabara de sair da adolescência quando a Anima anterior a convocou ao Sacellum, um templo feito das árvores vivas da floresta. Perto da morte, a Anima nomeou Mayael como sua sucessora e a contou o que era necessário para que ela pudesse liderar os elfos. Para se tornar uma Anima, Mayael teve que passar por um ritual chamado Visão da Coberta Branca. Durante o ritual, os olhos de Mayael foram se tornando brancos da cor de uma pérola – sem emoção e impecáveis. A visão, explicou a Anima, era um sentido imperfeito que apenas revelava a camada mais fina da realidade. Logo a visão de Mayael ganharia a habilidade de ver a profundidade escondida sob a pele do mundo. Após o ritual, os próprios tijolos da construção foram revelados a ela.

A Anima anterior não contara a Mayael, entretanto, que o ritual traria uma dor terrível. Enquanto sua visão desaparecia, sua mente era preenchida com memórias de todas as Animas, até chegar na primeira, uma filha mais jovem de shaman, chamada Cylia. Mayael teve uma visão do início – ou seria o fim? – dos tempos, quando Progenitus era o mestre do mundo, do horizonte, e de tudo o mais além.

Mayel, a Anima, transformada pelo ritual Visão da Coberta Branca.

A visão de Mayael: A Destruição do Mundo

O mundo foi partido. Enquanto os elfos corriam em terror pelo cataclisma, uma jovem elfa chamada Cylia escalou até o cume da montanha armada apenas com um frasco de veneno e uma adaga feita de um espinho. No topo, ela viu a face de Progenitus, a alma do mundo. Na visão de Mayael, Progenitus havia ficado desgostos com a criação e lançou as cinco tormentas para consumi-lo: Queimada, Terremoto, Furacão, Dilúvio e Vácuo. Caindo ao chão em súplica, Cylia implorou para que Progenitus não destruísse a vida do mundo. Furioso com sua petulância, Progenitus a cegou e deu as costas, para observar a limpeza da criação. Com sangue de seus olhos mutilados escorrendo no frasco de veneno, Cylia mergulhou a adaga no veneno e fechou seus sentidos para a destruição. Ela olhou para dentro de si em seu transe e pôde ouvir cada nota da música da morte. Ela podia sentir os fios entrelaçados da vida, desde o terror do fauno se escondendo na floresta até o batimento do coração da águia voando sem rumo no céu tempestuoso.

Cylia transitou pelas linhas invisíveis até achar uma conexão mística com Progenitus, então ela cravou sua adaga envenenada exatamente neste coração etéreo. Com tal golpe, a essência divina de Progenitus se partiu e seu corpo terreno foi formado: uma hydra de sete cabeças. Porém, duas de suas cabeças permaneciam paradas e murchas. Antes, Progenitus incorporava e controlava todas as cores de mana nele mesmo, mas em sua forma física a mana foi repartida, com cada cabeça personificando uma cor apenas. Ferido, Progenitus caiu sobre a terra devastada, onde permaneceria adormecido por milênios enquanto a vida selvagem surgia ao redor dele.

Como o sangue de Cylia, misturado ao veneno, entrou no corpo de Progenitus, ela tinha uma conexão eterna com a hydra, assim como todas as outras Animas após ela.

As pegadas dos gargantuanos, manifestações de Progenitus.

A Tarefa da Anima

Enquanto Progenitus adormece, manifestações dele caminha sobre a terra na forma de gargantuanos – as criaturas behemoth que caminham na superfície de Naya. Os elfos acreditam que os gargantuanos são a expressão da vontade da hydra e os veneram feito seres divinos. Como a Anima, Mayael está encarregada de discernir a vontade de Progenitus. Após monitorar cuidadosamente as ações dos gargantuanos, Mayael interpreta o que os eventos significam e então entra em contato com Progenitus para determinar quais ações devem ser tomadas para mantê-lo saciado. Ela é assessorada por vários grupos elfos de elite:

Rastreadores de deuses – Os guerreiros que traçam os movimentos dos gargantuanos através das florestas e montanhas. Eles ignoram quaisquer fronteiras e tendem a lutar contra humanos e nacatl onde quer que vão. Os melhores guerreiros dos elfos, eles matarão qualquer um que ficar entre eles e o rastreio de um gargantuano. Eles mandam relatórios regularmente a Mayael.

Épicos – Baseados nas informações dos rastreadores, esses elfos escrevem contos épicos que registram o comportamento e batalhas dos gargantuanos. Esta forma de arte oral é a memória histórica dos elfos, e permite que Mayael compreenda melhor a vontade de Progenitus.

Guardas do Vale – Dos acampamentos nas copas das árvores do vale, elfos constantemente observam o Vale do Ancião e monitoram a respiração de Progenitus. Sozinhos por dias a fio, os guardas do vale comunicam-se através de música tocada em flautas de madeira. Essas músicas assombradas ecoam por todo o vale enevoado e são uma linguagem compreendida apenas por aqueles devotos a servir como sentinelas de um deus adormecido.

Elfos Cylian acreditam que não existem coincidências. O mundo é composto por camadas sobre camadas de significado – uma tapeçaria de eventos entrelaçados e presságios, todos esperando para serem interpretados. Os gargantuanos geralmente são uma força violenta, esmagando um acampamento humano ou alterando o curso de um rio com suas pegadas gigantescas. Seja destruindo ou criando, a vontade de Progenitus deve ser interpretada e considerada em ações futuras.

O Confluxo

Embora a visão de Mayael ofereça profunda percepção, ela não foi capaz de ver além dos limites de Naya. Isolada dos outros fragmentos de plano, Mayael não sabia da convergência iminente. Quando os castelos de Bant e os poços de piche fervente invadiram seu paraíso verdejante, Mayael estava impotente para evitar.

A paisagem de Naya não foi a única a ser surprendida pelo não familiar. As necrópolis de Grixis se chocaram com os vulcões de Jund, e as águas negras dos mares Esper vazaram para os campos e prados de Bant. Em cada plano, choque e medo rapidamente se transformaram em hostilidade, e Mayael partiu com seu exército de elfos e gargantuanos para tentar proteger bordas que não mais existiam.

Como fragmentos, cada plano possuía apenas três cores de mana. Uma vez que os planos convergeram, os habitantes foram expostos a novas mágicas estranhas e cores de mana que ninguém havia visto antes. Com a intrusão de nova mana, magos começaram a lançar feitiços diversos e poderosos, canalizando o caos da situação.

Em Naya, enquanto a mana preta de Jund e a mana azul de Bant vazavam lentamente para o paraíso florestal, elas traziam consigo enganação e destruição – e preencheram as cabeças murchas do deus-hydra. Convocada pelos guardas do vale, Mayael correu para o Vale do Ancião no exato momento que a terra rachou, derrubando as árvores antigas e expelindo um gêiser de vapor fervente. Com sua tumba terrena agora aberta, Progenitus levantou-se até tocar o céu. Com seu corpo físico restaurado, Progenitus dominou o horizonte uma vez mais.

A floresta tremia em sua presença, e os guardas do vale caíram por seus joelhos em terror enquanto a hydra se impunha por dentre as nuvens. Mas Mayael não temia. Ela percebeu que sua tarefa de Anima estava agora completa. No momento que Naya mais precisou dele, Progenitus resurgiu de sua tumba. Ela viu que o deus-hydra era como os fragmentos: incompleto e sem consciência de suas partes que faltavam. Ela acreditava que Progenitus era a essência de Alara: reunida, incontrolável, e tomada de fúria. Ele é afomentado pelo caos, mas furiosamente defensor de seu mundo nascente. Ele é o mundo feito em carne.

No cardgame

Enquanto Alara explode num redemoinho de violência e guerra, Progenitus expele sua fúria em qualquer coisa que esteja em seu caminho. Seu corpo agora completo, o deus-hydra é intocável. Esta é a primeira criatura com proteção contra tudo – incluindo criaturas, o que significa que ele é imbloqueável. Progenitus é tão formidável que até mesmo os planeswalkers mais poderosos passam por maus bocados para lidar com ele. Por exemplo, Ajani Vingativo não pode mantê-lo virado nem causar dano a ele, e Sarkhan Vol não pode ganhar controle dele. Entretanto, Elspeth pode fazer uma criatura voar sobre ele, enquanto Chandra pode tentar queimar seu controlador antes que Progenitus o mate.

Helton Moreira

Voltando à ativa no Magic…

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Um comentário sobre “Magic The Gathering: A Alma do Mundo (A História de Naya)

  1. Essa foi só para relembrar boas partes das histórias de outras coleções mais antigas. Eu achava massa essa história e tinha que colocar aqui esse artigo.

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