Resenha – 3:16 Carnificina Entre as Estrelas

Faz tempo que não temos uma resenha por aqui, heim, camaradas? Para mudar isso, eis que hoje lhes trago a análise de um RPG indie que recentemente adquiri e tive a oportunidade de narrar nos dois primeiros encontros semanais do grupo Vila do RPG nesse ano. E digo sem sombra de dúvida que foram as melhores sessões que eu narrei (tanto pelo jogo quanto pelo grupo) desde que começamos a realizar nossos encontros! Estou falando de 3:16 Carnificina Entre as Estrelas, um RPG de ficção científica militar lançado aqui no Brasil pela Retropunk. Em 3:16 os jogadores interpretam fuzileiros espaciais ao maior estilo dos filmes Aliens – O Resgate e Tropas Estelares ou dos games Starcraft e Gears of War. Escrito pelo escocês Gregor Hutton em menos de 24 horas para concorrer ao prêmio Ronnies de  RPG em 2005, 3:16 já está entre os jogos indies mais premiados do mercado RPGístico internacional, tendo concorrido também em várias categorias no ENnie Awards e Indie RPG Awards.

A capa do livro já dá uma dica do que esperar do jogo...

O livro de 3:16, diferente da maioria dos livros de RPG encontrados no mercado brasileiro, possui um formato paisagem, com o interior inteiramente em preto e branco – o que, sinceramente, não tira em nada a beleza do material, pois o papel de altíssima qualidade garante qualidade do livro. As cerca de 100 páginas do livro possuem uma escrita em tom extremamente leve e bem humorado, repleto de piadinhas, palavrões e comentários machistas, o que deixa o clima do jogo ainda mais parecido com o estilo de vida militar. As ilustrações são simples e marcantes, retratando os personagens e criaturas de forma bem direta e sem maiores detalhes. A capa em si dispensa comentários, sendo uma verdadeira atração à parte, que passa perfeitamente o clima do jogo e demonstra aos jogadores o que esperar do interior do livro. Sem querer dar uma de caçador de piolhos, se posso dizer que algo em 3:16 deixou um pouquinho a desejar, é a colagem das páginas do livro, que me pareceu frágil e passa a impressão de que em um manuseio prolongado, pode vir a descolar.

O cenário do jogo é um futuro utópico onde, 10.000 anos adiante, a sociedade terráquea conseguiu extirpar de seu cotidiano problemas como fome, miséria, violência, doenças e até a morte! A vida, em resumo, é um verdadeiro tédio, hehehehehe… menos para os audazes fuzileiros da 16ª Brigada do 3º Exército da Terra, corajosos – sociopatas, alguns diriam – homens e mulheres que deixaram para trás o conforto de casa para singrar as vastidões cósmicas caçando e exterminando qualquer tipo de forma de vida alienígena que possa ameaçar seu planeta natal. Para cumprir tão “nobre” missão, os militares dispõem do que há de mais moderno e destrutivo em tecnologia bélica, como armas de raios, armaduras cibernéticas, naves de assalto e até bombas atômicas!

A mecânica de 3:16 é bem simples e direta. Desde a criação de personagens até a resolução de conflitos, os jogadores rolam poucas vezes os dados, apoiando muito mais em sua capacidade criativa e narrativa – que, diga-se de passagem, aqui é compartilhada. Para criar seus fuzileiros, os jogadores possuem 10 pontos para dividirem entre dois atributos do jogo: HC (Habilidade de Combate), usado para todas as ações envolvendo a matança, e HFC (Habilidade Fora de Combate), usado para resolver as situações que não envolvam explodir aliens. Aqueles personagens com maior pontuação em HFC, geralmente mais estratégicos, serão os oficiais de maior patente, enquanto os brutamontes de maior HC serão os soldados rasos, porém destruidores. O combate é baseado em uma única jogada de dados por rodada para cada jogador (incluindo o narrador), que irá determinar o sucesso ou fracasso dos personagens  e dos aliens. Basta obter um número igual ou inferior na jogada de 1d10 para ser bem sucedido. De acordo com o resultado dessa jogada, narrador e jogadores irão descrever os resultados das rolagens, dividindo a responsabilidade na construção da história. Após isso, os jogadores contabilizam as mortes que causaram (de acordo com suas armas) e marcam o dano que levaram. Simples assim!

Para um fuzileiro de 3:16, alien bom é alien morto!

Um ponto bastante inovador de 3:16 é a mecânica das Lembranças. Essas regras, divididas entre Forças e Fraquezas, são usadas pelos jogadores durante o combate, alterando o resultando de seu confronto com os aliens, seja para o sucesso ou para o fracasso. Os jogadores criam elementos do background de seus degenerados fuzileiros na hora do jogo, e isso irá mudar o rumo de seus combates, levando-os à vitória ou ao fracasso. Os jogadores, além de improvisar a história na hora, também narram o resultado de sua vitória em seus próprios termos (caso tenha usado uma Força) ou derrota também em seus próprios termos(caso tenha usado uma Fraqueza). Essa mecânica garante que os jogadores tenham um maior controle da história e tracem estratégias para alterar a narrativa e sair de um confronto quando lhes parecer mais oportuno, mesmo que saiam derrotados.

As histórias de 3:16 são contadas através de uma estrutura de missões (as aventuras), onde os personagens são levados de planeta em planeta, explodindo tudo e transformando os inimigos em gosma alienígena. Afinal, em 3:16, alien bom, é alien morto! Entre as missões, os jogadores são promovidos na hierarquia militar e sobem de nível, de acordo com o número de mortes que causaram na missão anterior. Ao subirem de patente, poderão adquirir mais equipamentos, veículos e armamentos cada vez mais destruidores para continuar mandando o universo pelos ares!

Em suma, podemos dizer que 3:16 é um RPG simples, porém divertido, talvez até despretensioso – pois não aprofunda as reflexões que podem surgir em torno de uma guerra infinita onde os soldados são meros peões facilmente substituíveis, que lutam para manter em segurança um mundo que os condenou a vagar pelo espaço levando carnificina por ondem passarem, tornando eles próprios em ameaças ainda piores que os monstros que matam. Enfim, se você não quer muita preparação, mas sim descer o cacete em alienígenas com armas cada vez mais poderosas, esse é seu jogo!

Dmitri Gadelha

Explodindo tudo no cenário de Starcraft!

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Um comentário sobre “Resenha – 3:16 Carnificina Entre as Estrelas

  1. Eu jogo 3:16 e é mt bom!! O sistema, como vc disse, é bem simples e mt fácil de aprender, os dados utilizados são d6 (para algumas armas) e d10 (para testes de HC e HFC, contabilidade de mortes e outras armas), e de resto é a imaginação do mestre e dos jogadores. Eu conheci esse rpg a pouco tempo e estou apaixonada. Na aventura que estou jogando a minha personagem é cabo e sai dando tiro com canhão de energia na testa de alien safado e é divertidíssimo. Pra quem gosta de sci-fi e de dar tiro na cara dos outros, eu super recomendo esse jogo. Fora que dá pra se criar uma narrativa bem legal utilizando conflitos internos dentro da própria 3:16 como por exemplo: o exército é fascista, e aí, como faz com quem não é fascista mas tá lá dentro?? Enfim, vale a pena.

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